2º Festival Literário Ayvu Nhevaitim (FLAN) — Encontro de Vozes Indígenas
Local:
Museu das Culturas Indígenas, YouTube do MCI e Parque da Água Branca
Data:
03 a 08/11/2026, terça-feira a domingo
Entrada:
gratuita
Vagas:
Conforme Programação
Informações:
(11) 3873-1541
Classificação:
Livre
ATIVIDADES PRESENCIAIS E VIRTUAIS GRATUITAS.
O Museu das Culturas Indígenas (MCI) traz a segunda edição do Festival Literário Ayvu Nhevaitim (FLAN) – Encontro de Vozes Indígenas. O evento será uma celebração da literatura que valoriza a autoria das identidades indígenas brasileiras, destacando suas histórias nas primeiras publicações editoriais no país. Com curadoria de Aline Pachamama (Churiah Puri), que traz “Boacé Uchô – A Palavra Está na Terra” como tema.
Com atividades voltadas para todas as idades – nos formatos presenciais e virtuais –, o evento reunirá autores, editores, artistas e o público geral em uma programação intensa de seis dias, com rodas de conversa, oficinas criativas, saraus, contações de história, feira de livros e mediações para escolas.
O festival propõe um plantio coletivo de ideias para:
- Escutar sem filtros: o protagonismo absoluto é da voz e da escrita de autores indígenas de diversos biomas e gerações.
- Aprender com a Escola Viva: conhecer a metodologia onde o ensino, a vida e a luta pela homologação das terras correm na mesma correnteza.
- Fortalecer laços comunitários: compartilhar o espaço, os cantos, as danças e a alegria indígena como motor de resistência.
- Assumir a responsabilidade: receber sementes e mudas para levar o compromisso com a proteção da biodiversidade para o seu próprio quintal.
PROGRAMAÇÃO
03/11/2026, TERÇA-FEIRA, das 15h às 16h [VIRTUAL]
BOACÉ MEHTL’ON (“palavra-coragem”) – A Palavra como Reconhecimento e Direito ao Território, com Churiah Puri (mediação), Márcia Mura e Potyra Krikati Guajajara
04/11/2026, QUARTA-FEIRA, das 15h às 16h [VIRTUAL]
A Palavra Terra (também) pode ser Digital?, com Karaí Mirim (mediação), Alex Potiguara e Inara Sateré-Mawé
05/11/2026, QUINTA-FEIRA, das 15h às 16h [VIRTUAL]
SCHUTEH POTEH (“boa luz”) – A Poesia da Escrita Indígena, com Clarice Pankararu (mediação), Môrena e Graça Graúna
06/11/2026, SEXTA-FEIRA [PRESENCIAL]
• Das 14h às 16h | Visita Mediada Temática: Trilha do Pau-Brasil + Ayvu Porã (as “Belas Palavras”), com Churiah Puri (Aline Pachamama) e Mestres de Saberes
• Das 16h às 17h | BOACÉ – A “Palavra-Terra” Exige Escuta: Canto Toré de Abertura, com Cacique Yradzú
07 e 08/11/2026, SÁBADO E DOMINGO, das 10h às 17h [PRESENCIAL]
Feira Literária
07/11/2026, SÁBADO [PRESENCIAL]
• Das 10h às 12h | A Escola Viva, com Karaí Mirim (mediação) e Cristine Takuá
• Das 14h às 16h | BOACÉ UCHÔ (“palavra-terra”) – A Origem da Palavra Terra, com Karaí Mirim (mediação), Francy Baniwa, Carlos Papá Guarani e Moara Tupinambá
• Das 16h às 17h | Contação de Histórias MCI – “Muito Antes do “Era Uma Vez”: águas, árvores e serpentes que sustentam o mundo”, com Fitsaká, Xipu Puri e Yriwana Teluira Karajá
08/11/2026, DOMINGO [PRESENCIAL]
• Das 10h às 12h | CHINDÊDA – Na Floresta, Palavra de Encantamentos, com Clarice Pankararu (mediação), Cristino Wapichana e Churiah Puri (Aline Pachamama)
• Das 14h às 16h | A Palavra Entrelaçada na Cestaria e Desenhada no Grafismo, com Aly Orellana (mediação), Kawakani Mehinako e Kerexu Mirim (Helena da Silva)
Contexto
Boacé Uchô, na língua do povo Puri, significa a “palavra-terra”, a “palavra que pulsa”. Muito antes da imposição de alfabetos externos tentar silenciar as vozes originárias, anciãs e anciãos já liam a sabedoria cravada nas cascas das árvores, nos rastros dos animais e no curso dos rios. A escrita ancestral é o próprio território. O corpo indígena e sua história são palavras vivas. Quando a sociedade não-indígena se recusa a ouvir, ela distorce e transforma essa sabedoria em produto de interesse individual. O chamado do festival é direto: escute a “palavra-terra”; não tente interpretá-la.
A escrita originária nasce das inquietações, do afeto e da recusa ao apagamento, implodindo os velhos registros colonizadores. A memória coletiva não aceita o silêncio das estantes; ela se tece no cotidiano, nos grafismos de urucum e jenipapo, na oralidade e na cerâmica. Quando os povos indígenas ocupam as páginas de um livro ou assumem os microfones, estão demarcando o texto e o chão ao mesmo tempo. A poesia é uma tática de defesa, autoafirmação e cuidado coletivo.
Por que “Ayvu Nhevaitim”?
O nome do Festival Literário realizado pelo Museu das Culturas Indígenas, segundo tradução do Guarani por Carlos Papá, significa “Palavras Semeadoras”. Tem por objetivo trazer elementos com grande poder de influência, que promovam a reflexão, a transformação e o crescimento, agindo como sementes que germinam na consciência e propiciam atitudes e ações em direção à superação e à coletividade, a partir das histórias e memórias de resistência indígena, suas artes e produções artísticas e intelectuais.
Sobre Churiah Puri (Aline Pachamama)
Bioma Mata Atlântica | Historiadora, escritora, ilustradora e um dos principais nomes da literatura e da preservação cultural indígena no Brasil. É pioneira ao idealizar a Pachamama Editora, a primeira iniciativa editorial do país voltada para a publicação em línguas indígenas, atuando diretamente na reparação linguística e territorial por meio dos livros. Também fundou o Instituto Pachamama, organização dedicada à reparação histórica do povo Puri e à defesa dos direitos à terra, às águas e à biodiversidade da Serra da Mantiqueira. No campo acadêmico e científico, possui Doutorado em História Cultural pela Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ) e Mestrado em História Social pela Universidade Federal Fluminense (UFF), com especialidade na metodologia da História Oral. Sua pesquisa interdisciplinar – que conecta História, Geologia e Arqueologia – recebeu amplo reconhecimento de instituições de prestígio, sendo considerada cientista pelo projeto Minas Faz Ciência, além de premiada e reconhecida pelo Museu Histórico Nacional e pelo Instituto Serrapilheira. É curadora da 2ª edição do Festival Literário Ayvu Nhevaitim (FLAN) – Encontro de Vozes Indígenas, com o tema “Boacé Uchô – A Palavra Está na Terra”.
Observações:
- atividades presenciais e virtuais gratuitas;
- nas atividades presenciais, inscrição por ordem de chegada, até esgotamento das vagas (exceto para as atividades BOACÉ – A “Palavra-Terra” Exige Escuta: Canto Toré de Abertura [dia 06/11/2026, sexta-feira] e Feira Literária [dias 06 e 07/11/2026, sábado e domingo]);
- a abertura das inscrições se dará 30 (trinta) minutos antes do início da atividade;
- para maior comodidade, aconselhamos chegar com 1 hora de antecedência do horário da atividade
- apenas crianças de colo, com até 24 meses incompletos, não necessitam de inscrição, respeitando a quantidade de vagas disponíveis;
- caso seja necessário intérprete de libras para acompanhar a atividade, enviar solicitação por e-mail para contato@museudasculturasindigenas.org.br, com pelo menos 72 horas de antecedência;
- a participação de crianças menores de 12 anos só é permitida se acompanhada de um responsável maior 18 anos de idade;
- para conforto e segurança de todos os participantes, nas áreas expositivas, não é permitida a entrada com malas, mochilas, dentre outros tipos de bolsas grandes. Pedimos a gentileza de consultar a disponibilidade e utilizar nosso guarda-volumes, localizado no Térreo/Recepção. Bolsas de amamentação ou com medicação são as únicas exceções permitidas;
- ao participar das atividades presenciais do Museu das Culturas Indígenas (MCI), registros fotográficos e em vídeo podem ser feitos pela equipe. O seu uso será exclusivamente para fins de divulgação institucional e promocional do MCI. Caso tenha alguma objeção a essas finalidades, informe nossa equipe.