FLAN | BOACÉ UCHÔ (“palavra-terra”) – A Origem da Palavra Terra, com Karaí Mirim (mediação), Francy Baniwa, Carlos Papá Guarani e Moara Tupinambá
Local:
MCI | 7º Andar
Data:
07/11/2026, sábado, das 14h às 16h
Entrada:
gratuita
Vagas:
30 (trinta)
Informações:
(11) 3873-1541
Classificação:
Livre
ATIVIDADE PRESENCIAL E GRATUITA, COM INSCRIÇÃO POR ORDEM DE CHEGADA, ATÉ O ESGOTAMENTO DAS VAGAS.
Muito antes de qualquer alfabeto tentar dominar as narrativas, os povos originários já liam os rios e as cascas das árvores. A escrita originária é gerada no útero do território, parida pela arte visual, pelo cotidiano e pela oralidade. Esta roda recusa o apagamento e transforma a literatura em um território vivo de acolhimento e autoafirmação das culturas indígenas.
Com mediação de Karaí Mirim, a mesa reúne Francy Baniwa, Carlos Papá Guarani e Moara Tupinambá para um confronto direto: a sociedade precisa parar de interpretar os povos indígenas e assumir o compromisso de escutá-los. O encontro reforça que a “palavra-terra” é a escrita ancestral que pulsa no corpo indígena, cruzando poesia, afeto e memória coletiva em um ato contínuo de demarcação de texto e cuidado coletivo.
Sobre Francy Baniwa
Bioma Amazônia | Hipamaalhe – “Som da Cachoeira”. Antropóloga, curadora e pesquisadora indígena do povo Baniwa, do Alto Rio Negro (AM). Em 2026, tornou-se a primeira professora indígena da Universidade de São Paulo (USP), atuando como pesquisadora de saberes ancestrais no Museu de Arqueologia e Etnologia (MAE-USP). Pertencente ao clã Waliperedakeenai, nasceu na comunidade de Assunção, no Baixo Rio Içana (Terra Indígena Alto Rio Negro, em São Gabriel da Cachoeira – AM). “Filha da roça e do rio” e “dona de roça”, iniciou sua formação na floresta; graduou-se em Sociologia pela Universidade Federal do Amazonas (UFAM); é mestra e doutora em Antropologia Social pelo Programa de Pós-Graduação em Antropologia Social do Museu Nacional da Universidade Federal do Rio de Janeiro (PPGAS-MN/UFRJ); e realiza pós-doutorado no Museu de Arte Contemporânea da Universidade de São Paulo (MAC-USP). Primeira mulher indígena do Brasil a publicar um livro de antropologia, é coautora de “Umbigo do Mundo”, obra escrita com seu pai, Francisco Luiz Fontes Baniwa, que documenta as cosmologias e a ciência Baniwa. Atuante nos movimentos indígenas do Rio Negro há mais de uma década, transita entre a academia ocidental e a ciência da floresta, coordenando a escola comunitária em sua aldeia com foco na transmissão oral. Atuou na comissão curatorial do Museu das Amazônias (MAZ), em Belém (PA), e trabalhou como consultora de projetos da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO) no Museu Nacional dos Povos Indígenas, no Rio de Janeiro (RJ).
Sobre Carlos Papá Guarani
Bioma Mata Atlântica | Carlos Papá Mirim Poty é artista, cineasta, pensador e liderança espiritual do povo Guarani Mbya. Morador da Terra Indígena Rio Silveiras, localizada no litoral norte de São Paulo (entre os municípios de Bertioga e São Sebastião), atua há mais de 25 anos como um dos principais articuladores culturais e defensores da sabedoria ancestral de seu povo. É pioneiro na utilização do audiovisual como ferramenta de salvaguarda cultural e dedica-se à transmissão da filosofia e da memória ancestral de seu povo. É coordenador do Ponto de Cultura Escola Viva Arandu Porã. É um dos fundadores e conselheiro do Instituto Maracá e presidente do Instituto Guarani da Mata Atlântica (Iguama). Também integra o Conselho Aty Mirim do Museu das Culturas Indígenas. Atuou ativamente na articulação política e territorial como representante da Comissão Guarani Yvy Rupa, voltada à defesa das terras Guarani.
Sobre Moara Tupinambá
Bioma Amazônia | Artista visual, ilustradora, escritora, educadora, comunicadora e curadora ativista, nascida na Mairi Belém do Pará e membra da Aldeia Tucumã Tupinambá do Tapajós. Sua prática reúne desenho, pintura, colagem, instalação, escrita e audiovisual para investigar cartografias da memória, identidade, ancestralidade e processos de reafirmação Tupinambá na Amazônia contemporânea. Sua produção atravessa arte, política e educação, operando como prática de retomada e produção de conhecimento. É organizadora do Grupo de Estudos Maenry Tupinambá (GEMTUPY) e, desde 2024, desenvolve ações de arte e educação na Aldeia Tucumã do Tapajós. Foi responsável por articular a certificação do ponto de cultura indígena em sua aldeia, pela Política Nacional de Cultura Viva (PNCV). Realizou exposições como “Mirasawá” (Museu Nacional da República, 2025) e a individual “Maenry, Tupinambá: eu existo!” (2025). Participou da Bienal de Curitiba (2026), da Bienal das Amazônias (2023) e da Bienal de Montevidéu (2025). Recebeu o 8º Prêmio de Artes do Instituto Tomie Ohtake (2022). Foi indicada ao Prêmio Pipa de 2026. Venceu a categoria “Criadores Indígenas”, da Mostra Audiovisual Vidas Indígenas, do Museu da Pessoa (2025).
Sobre Karaí Mirim (mediação)
Bioma Mata Atlântica | Indígena do povo Guarani, mestre em Psicologia pelo Instituto de Psicologia da Universidade de São Paulo (IP-USP) e supervisor de comunicação do Museu das Culturas Indígenas. Sua trajetória articula comunicação, arte, caminhada e incidência institucional na construção de narrativas indígenas contemporâneas comprometidas com memória, território, sustentabilidade e transformação social.
Observações:
- atividade presencial e gratuita;
- inscrição por ordem de chegada ou até esgotamento das 30 (trinta) vagas;
- a abertura das inscrições se dará 30 (trinta) minutos antes do início da atividade;
- para maior comodidade, aconselhamos chegar com 1 hora de antecedência do horário da atividade
- apenas crianças de colo, com até 24 meses incompletos, não necessitam de inscrição, respeitando a quantidade de vagas disponíveis;
- caso seja necessário intérprete de libras para acompanhar a atividade, enviar solicitação por e-mail para contato@museudasculturasindigenas.org.br, com pelo menos 72 horas de antecedência;
- a participação de crianças menores de 12 anos só é permitida se acompanhada de um responsável maior 18 anos de idade;
- para conforto e segurança de todos os participantes, nas áreas expositivas, não é permitida a entrada com malas, mochilas, dentre outros tipos de bolsas grandes. Pedimos a gentileza de consultar a disponibilidade e utilizar nosso guarda-volumes, localizado no Térreo/Recepção. Bolsas de amamentação ou com medicação são as únicas exceções permitidas;
- ao participar das atividades presenciais do Museu das Culturas Indígenas (MCI), registros fotográficos e em vídeo podem ser feitos pela equipe. O seu uso será exclusivamente para fins de divulgação institucional e promocional do MCI. Caso tenha alguma objeção a essas finalidades, informe nossa equipe.