FLAN | Feira Literária
Local:
MCI | Pátio
Data:
07 e 08/11/2026, sábado e domingo, das 10h às 17h
Entrada:
gratuita
Informações:
(11) 3873-1541
Classificação:
Livre
ATIVIDADE PRESENCIAL E GRATUITA, SEM NECESSIDADE DE INSCRIÇÃO.
A Feira Literária do 2º Festival Literário Ayvu Nhevaitim (FLAN) recusa a lógica do mercado comum e se impõe como uma área de demarcação do texto e da memória coletiva. Com curadoria de Churiah Puri (Aline Pachamama), o espaço coloca o público em contato direto com a produção literária originária. É a chance de escutar a palavra viva diretamente de editoras, livrarias e dos próprios autores.
Nas bancas, a “palavra-terra” assume forma física. O acervo reúne obras concebidas dentro e fora das aldeias, estilhaçando o mito de que as culturas indígenas pertencem a um passado estático ou a um único formato. A diversidade de gêneros, etnias, línguas e costumes materializa uma escrita ancestral que pulsa no presente. São livros que registram o cotidiano, a poesia e o cuidado coletivo em contraponto direto aos antigos registros colonizadores.
Mais do que um ponto de circulação de livros, a feira é um ato de autoafirmação. Ao escolher e levar essas páginas para casa, o leitor não adquire apenas literatura: ele recebe as sementes do “Ayvu Nhevaitim”, assumindo a responsabilidade prática de propagar a escrita indígena, respeitar o território e participar ativamente da recusa ao apagamento histórico.
EXPOSITORES
Cristino Wapichana

Multiartista enraizado no bioma Amazônia, transita entre a escrita, a música, o cinema e a contação de histórias para demarcar a presença e o pensamento originário no mundo contemporâneo. Especialista em questões indígenas e patrono da Cadeira 146 da Academia de Letras dos Professores de São Paulo (ALP), ele forja na literatura um espaço de autoafirmação e denúncia. Sua obra “A Boca da Noite” rompeu fronteiras: traduzida para o dinamarquês e o sueco, conquistou o 3º lugar no Prêmio Jabuti 2017, cravou presença no cobiçado catálogo White Ravens, levou a Estrela de Prata do Prêmio Peter Pan (IBBY) e garantiu seu nome na IBBY Honour List. O autor também alcançou as finais do Jabuti com “O Cão e o Curumim” (2019) e “Cada Remada, Uma História” (2024), além de integrar a antologia “Apytama: Floresta de Histórias”, vencedora do Jabuti de Melhor Livro Juvenil em 2024. Agraciado com a Medalha da Paz Mahatma Gandhi (2014) e o Selo da Cátedra UNESCO (2022), Cristino soma passagens estratégicas pela Secretaria Municipal de Educação de São Paulo na articulação das relações com os povos indígenas. Após movimentar o Museu das Culturas Indígenas com lançamentos e narrativas como “Terra, Rio e Guerra: a sina de um curumim”, ele estreia nesta 2ª edição do FLAN para consolidar o tema “A Palavra Está na Terra”.
Nota: o autor estará presente no festival exclusivamente no domingo, dia 8 de novembro de 2026, participando, também, da atividade “CHINDÊDA – Na Floresta, Palavra de Encantamentos”, com Clarice Pankararu (mediação) e Churiah Puri (Aline Pachamama).
Letycia Rendy Yobá Payayá

Mulher indígena do povo Payayá, ativista, escritora e historiadora, faz da memória oral um instrumento direto de retomada e sobrevivência. Doutoranda e mestra em História Oral Indígena pelo programa Programa de Pós-graduação em Humanidades – Direito e outras Legitimidades, pelo Núcleo de Estudos das Diversidades, Intolerâncias e Conflitos da Universidade de São Paulo (Diversitas/USP) e pesquisadora do Núcleo de Estudos em História Oral (NEHO/USP), ela rompe os cercos acadêmicos para atuar na linha de frente da educação básica, capacitando professores para o ensino rigoroso e decolonial da História e das Culturas Indígenas. Sua trajetória intelectual cruza a ciência ocidental com a sabedoria das comunidades tradicionais. Licenciada em História, pela Faculdade Sumaré; e especialista em Pedagogia Griô, pela Escola de Formação na Pedagogia Griô em parceria com o Núcleo Diversitas USP; em História e Culturas Afro-brasileiras e Indígenas para a Educação, pel’A Casa Tombada em conjunto com a Faculdade de Conchas (FACON); e em Formação Didático Pedagógica para Cursos de Modalidade a Distância Universidade Virtual do Estado de São Paulo (UNIVESP), Letycia reestrutura a prática de educadores para garantir que a escrita originária e as narrativas ancestrais não sejam silenciadas nas salas de aula. Fora das instituições formais de ensino, sua ação política ganha corpo no asfalto. Como arte-educadora na periferia de São Paulo, mobiliza o projeto “Cine Sarau Jacó” no Jardim Jaqueline. Ao levar cinema e poesia para o meio da rua, ela transforma o espaço urbano em um território de autoafirmação, cuidado coletivo e resistência cultural. É autora e narradora de “Mulheres de Coragem: autoafirmação e história oral indígena” (2026). É sua primeira participação no FLAN, já em sua 2ª edição, com curadoria de Aline Pachamama (Churiah Puri) e que traz “Boacé Uchô – A Palavra Está na Terra” como tema.
Atma

Fundada em 2015, a Atma transcende o modelo convencional do mercado livreiro, operando simultaneamente como editora, livraria, distribuidora e consultoria educacional. Em aliança comercial e estratégica com a Editora Valer, a casa mantém um catálogo multifacetado que recusa o isolamento de saberes, conectando literatura brasileira e universal, ciências humanas, política, meio ambiente, arquitetura e quadrinhos. Com coleções inteiras dedicadas à educação, a exemplo de “Fundamentos da Literatura Brasileira”, a Atma atua na formação de pensamento crítico e estrutural. Parceira do FLAN desde a edição inaugural de 2025 (“Palavras em pele de papel”), a editora retorna ao festival para seguir pavimentando caminhos de circulação literária.
Biruta/Gaivota

Nascida no ano 2000 na capital paulista a partir do encontro de gerações entre mãe e filha (Eny Maia e Mônica Maluf), a Biruta consolidou-se ao recusar a subestimação do público infantil e juvenil. A editora concebe o livro como um objeto estético e político, unindo textos rigorosos a projetos gráficos inventivos que convocam o leitor a múltiplas interpretações. Com um catálogo chancelado por honrarias máximas do mercado, como o Prêmio Jabuti, o selo internacional White Ravens, distinções da Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil (FNLIJ) e seleções em políticas públicas estruturantes como o Programa Nacional de Bibliotecas Escolares (PNBE), a Biruta alia qualidade técnica à coragem temática. Presente no FLAN desde a 1ª edição, a editora reforça o compromisso de oferecer literatura que expande horizontes sem perder a dimensão do lúdico.
Selo literário da Editora Biruta concebido em 2011, a Gaivota assume o risco de traduzir a complexidade do mundo contemporâneo para crianças e jovens. Em vez de blindar o público infanto-juvenil contra a realidade, a casa editorial se apoia na ousadia gráfica e no rigor literário para abordar temas herméticos, densos e desafiadores com extrema sensibilidade. Sem abandonar a fantasia e a aventura necessárias à imaginação, o selo opera como uma ponte narrativa, aproximando os leitores mais novos de questões que muitas vezes parecem distantes do cotidiano escolar ou familiar. Reconhecida no mercado e engajada no debate decolonial, a Gaivota retorna ao FLAN após marcar presença na edição de 2025.
Dantes

Em atividade desde 1994, a Dantes não imprime apenas páginas: forja ecossistemas. Na contramão do ritmo industrial, a editora publica poucos títulos para cuidar de suas jornadas, transformando livros em ciclos de estudos, encontros, exposições e até jardins. Sua linha editorial documenta uma profunda investigação sobre o ato de estar vivo, partindo das antigas dinâmicas humanas e históricas para, gradativamente, descer ao solo, abraçando perspectivas menos antropocêntricas e mais vegetais. Para a Dantes, o livro é uma nave capaz de transportar saberes pelo tempo e pelo espaço. É com essa concepção viva de difusão de conhecimento que a editora faz sua estreia na 2ª edição do FLAN, respondendo perfeitamente ao chamado de “Boacé Uchô – A Palavra Está na Terra”.
Hedra

Erguida em 1998 na cidade de São Paulo, a Hedra opera como uma trincheira do pensamento crítico e da literatura de resistência. Sob a coordenação de Jorge Sallum, Suzana Salama e Cristina Yamazaki, a editora independente ataca o monopólio eurocentrado do mercado editorial, democratizando o acesso a vozes marginalizadas, à produção de autores indígenas, à política radical e aos clássicos universais da Antiguidade. Recusando amarras tecnológicas corporativas, a Hedra viabiliza seu catálogo por meio de softwares livres, oferecendo a palavra em múltiplos formatos: impressos (“em tinta”), e-books (“pixels”) e audiolivros (“ondas sonoras”). Companheira de trincheira do FLAN desde a 1ª edição, a editora reafirma que a circulação irrestrita da cultura é um ato político.
Movimento Literário

Mais do que um ponto de venda, a Movimento Literário opera como um motor orgânico de formação de leitores e desenvolvimento cultural. A iniciativa cruza a curadoria editorial com o ativismo educacional, elaborando catálogos criteriosos e promovendo encontros diretos entre infância, literatura e autores. Seja em vendas on-line ou no asfalto dos eventos literários, a organização estrutura seu trabalho sobre a crença irrenunciável de que o livro é um catalisador de transformação social. Apresentando-se como aliada na recusa ao apagamento das memórias, a Movimento Literário renova seus votos com o FLAN pelo segundo ano consecutivo, inspirando novas gerações a defender a leitura como um território livre.
n-1 edições

A confecção dos livros-objeto aciona a multiplicidade, proposta conceitualmente pela editora e cunhada na expressão “n-1”. Nela, qualquer elemento que aspirasse a uma posição de centralidade é subtraído para devolver à multiplicidade seus direitos e polifonia. Seguindo a operação da multiplicidade, a linha editorial da n-1 edições contempla obras que discutem as mais diversas escalas e dimensões da realidade. São trabalhos que tateiam o mundo, cartografando os modos contemporâneos de subjetivação e contribuindo para a emergência de novas possibilidades, individuais e coletivas. A editora faz sua estreia no festival nesta 2ª edição do FLAN, sob a curadoria de Aline Pachamama (Churiah Puri), somando sua produção ao chamado de “Boacé Uchô – A Palavra Está na Terra”.
Pachamama Editora

Protagonizada por mulheres e alinhada com o ideário de democratização da leitura e da escrita, atua em parceria com autoras e autores. Prioriza temáticas que contemplem as culturas indígenas, em livros bilíngues, registrando os saberes e a história dos povos originários. Acolhe questões relacionadas à cultura afro-brasileira, diversidades, direitos humanos, música, história, sociedade e política, bem como pesquisas acadêmicas e obras de cunho artístico e literário que estejam em harmonia com suas linhas editoriais. Investe e acredita em autores indígenas e não-indígenas que tenham compromisso com as transformações necessárias para uma sociedade igualitária, atuante e democrática. A Pachamama acredita que a palavra escrita é afeto, um espaço de memória, um movimento que se propaga. Com a convicção de que a palavra escrita é um movimento vivo que se propaga no tempo, a Pachamama marca sua primeira participação no FLAN nesta 2ª edição.
UK’A Editorial

Desde 2010, tem sido uma referência na valorização da literatura indígena no Brasil. Pioneira no setor, a editora foi idealizada e gestada por Daniel Munduruku, com o propósito de resgatar e amplificar a voz dos povos originários. Seu trabalho não apenas fortalece a representatividade indígena no cenário literário, mas também contribui para a construção de um novo olhar sobre a cultura e a tradição dos primeiros habitantes do país, promovendo a diversidade e o reconhecimento das narrativas ancestrais. Uma das veteranas do FLAN, a casa esteve presente na 1ª edição, realizada em novembro de 2025 sob o tema “Palavras em pele de papel” e curadoria de Trudruá Dorrico Makuxi, retornando agora para reafirmar a força da “palavra-terra”.
Valer

Com 35 anos de trajetória recém-completados em setembro de 2026, a tradicional editora manauara firmou-se como o maior eixo intelectual do mercado livreiro da Região Norte. Com mais de 2 mil títulos publicados, a Valer atua diretamente na demarcação da memória e da ciência amazônica, resgatando obras históricas essenciais e impulsionando as novas vozes da literatura, da antropologia, da história e dos saberes dos povos originários. Muito além das prateleiras, a editora ocupa a cidade e a academia: mantém o espaço cultural Valer Teatro no centro de Manaus, onde articula poesia e resistência, além de possuir aliança estratégica com a Atma para furar bloqueios logísticos e garantir ampla presença nacional. Retorna ao FLAN após sua ativa participação no ano passado, trazendo consigo o peso narrativo da maior floresta do mundo.
Observações:
- atividade presencial e gratuita, sem necessidade de inscrição;
- a participação de crianças menores de 12 anos só é permitida se acompanhada de um responsável maior 18 anos de idade;
- para conforto e segurança de todos os participantes, nas áreas expositivas, não é permitida a entrada com malas, mochilas, dentre outros tipos de bolsas grandes. Pedimos a gentileza de consultar a disponibilidade e utilizar nosso guarda-volumes, localizado no Térreo/Recepção. Bolsas de amamentação ou com medicação são as únicas exceções permitidas;
- ao participar das atividades presenciais do Museu das Culturas Indígenas (MCI), registros fotográficos e em vídeo podem ser feitos pela equipe. O seu uso será exclusivamente para fins de divulgação institucional e promocional do MCI. Caso tenha alguma objeção a essas finalidades, informe nossa equipe.