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O Chão, a Água e o Sangue: a resistência Bororo e o futuro do Cerrado, com Jean Boe Bororo

Local:

MCI | YouTube

Data:

11/09/2026, sexta-feira, das 15h às 16h

Entrada:

gratuita, sem inscrição

Informações:

(11) 3873-1541

Classificação:

Livre

ATIVIDADE VIRTUAL E GRATUITA, SEM NECESSIDADE DE INSCRIÇÃO.

LINK: https://www.youtube.com/watch?v=63WG2ZfLyx0

Esqueça o mito de que o Centro-Oeste é um grande vazio à espera do agronegócio. O Cerrado é a savana mais rica em biodiversidade do planeta, a caixa d’água que alimenta as principais bacias do Brasil e um território de cura e equilíbrio climático mantido pelo manejo ancestral. Ainda assim, tomba diariamente sob o trator do desmatamento e da expansão privada desenfreada. Para quem ocupa esse bioma há sete mil anos, a destruição dessa paisagem significa a destruição da própria identidade.

Os Bororo — que se autodenominam Boe — conhecem exatamente o custo dessa invasão. Com uma organização social complexa, na qual o pátio da aldeia é o centro do mundo, eles guardam uma relação tão íntima com a paisagem que um de seus grupos, os Bóku Mógorége, traduz-se literalmente como os “habitantes do cerrado”. Com um território histórico que rasgava o mapa da Bolívia a Goiás, hoje vivem espremidos em terras fragmentadas e descaracterizadas no Mato Grosso, lutando contra um cerco que já dura três séculos. Resistiram às missões que tentaram extinguir sua língua nativa e ao chumbo de fazendeiros — como no sangrento massacre de Meruri —, e agora brigam de frente contra ferrovias, hidrovias e invasões que ameaçam engolir o que restou de suas terras.

O Dia Nacional do Cerrado, 11 de setembro, marca o nascimento de Ary Pára-Raios ativista que fez da arte uma trincheira pública para encurralar autoridades em defesa da natureza. Celebrar essa data exige abandonar o discurso conformista e assumir uma postura de combate pela vida.

Para colocar o dedo nessa ferida, o Museu das Culturas Indígenas (MCI) convida para um encontro direto com Jean Boe Bororo. A conversa pauta a urgência da demarcação de territórios indígenas como a única barreira prática contra o colapso do Cerrado. Se você defende a justiça climática e o direito originário à terra, junte-se a nós e escute quem sustenta essa resistência na prática.

Sobre Jean Boe Bororo
Artesão e ativista do povo Boe-Bororo, Jean transforma a arte tradicional em ferramenta de autonomia e resistência cultural, liderando o projeto de difusão @art.indigena_. Natural do Mato Grosso, reside atualmente na Reserva Indígena do Noroeste — o Santuário dos Pajés —, emblemático território de luta e afirmação originária no coração de Brasília (DF). Com atuação marcante em fóruns de mobilização política e socioambiental, como a Cúpula dos Povos, em Belém (PA), pauta seu trabalho na defesa dos territórios, na valorização da ancestralidade e na difusão do patrimônio do povo Boe.

Sobre o Povo Bororo (Boe)
Autodenominados Boe, os Bororo ocupam as terras do Cerrado e do Pantanal há pelo menos sete mil anos, organizando sua rica vida social e ritual em torno do pátio circular da aldeia — espaço central que dá nome à sua etnia. Falantes do idioma Boe Wadáru (tronco Macro-Jê), mantêm viva sua cultura e autonomia após mais de três séculos de violência colonial e tentativas de silenciamento. Confinados hoje a terras descontínuas no Mato Grosso, trezentas vezes menores do que seu território ancestral, os Boe permanecem em permanente pé de guerra pela recuperação de suas áreas homologadas, enfrentando o cerco do agronegócio, o avanço de grandes obras de infraestrutura e as invasões de suas divisas para garantir o direito de existirem em seu chão originário.

Sobre o Dia Nacional do Cerrado – 11 de setembro
Oficializada em 2003 por decreto presidencial, a data carrega uma força humana indispensável. O dia 11 é uma homenagem direta ao nascimento de Ary José de Oliveira, o histórico “Ary Pára-Raios”. Ator, diretor e fundador da Rede Cerrado e do grupo teatral Esquadrão da Vida, ele transformava a causa socioambiental em arte mambembe. Ary usava os palcos e as audiências públicas para encurralar autoridades e cobrar a sociedade civil em debates espinhosos, a exemplo do Código Florestal. Celebrar o 11 de setembro é manter viva essa mesma postura de combate em defesa da vida.

Sobre o Cerrado
É, de fato, a savana biologicamente mais rica do mundo, além de ser o segundo maior bioma do continente sul-americano. Ele domina o centro do país e espalha seus mais de 2 milhões de km² (24% do Brasil) pelo Distrito Federal e pelos estados de Goiás, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Tocantins, invadindo ainda nacos do Nordeste (Bahia, Maranhão e Piauí), Norte (Amapá, Amazonas, Rondônia e Roraima), Sudeste (Minas Gerais e São Paulo) e Sul (Paraná). Conhecido acertadamente como a “caixa d’água do Brasil”, o bioma é o berço que alimenta bacias hidrográficas vitais, incluindo a própria Amazônia e a Mata Atlântica. É um ambiente complexo que transita entre campos limpos, savanas abertas e formações florestais densas (como o cerradão). Reúne perto de 10 mil espécies de plantas e uma fauna recheada de animais endêmicos. E há um trunfo muitas vezes ignorado: o solo de suas áreas úmidas estoca carbono de maneira assustadoramente eficiente, superando em até seis vezes o potencial de uma área equivalente na floresta amazônica. Contudo, é o bioma mais ameaçado do planeta. A expansão desenfreada por propriedades privadas e o desmatamento colocam em xeque nossas nascentes e liberam quantidades maciças de carbono de volta à atmosfera, exigindo uma urgência imediata de preservação e sustentabilidade.

Observação:

  • atividade virtual e gratuita, sem necessidade de inscrição.

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