21ª Virada Cultural | Comitiva Wanî Saí Keneya: o canto da floresta viva
Local:
MCI | Pátio
Data:
23/05/2026, sábado, das 17h15 às 18h
Entrada:
gratuita
Informações:
(11) 3873-1541
Classificação:
Livre
Atividade presencial e gratuita, sem necessidade de inscrição.
Diretamente das terras ancestrais do povo Noke Koî, a Comitiva Wanî Saí Keneya traz para a pré-Virada Cultural no MCI uma imersão profunda na espiritualidade da floresta, em um espetáculo que une a tradição dos rezos sagrados à vitalidade da nova geração. Com Shapo Waninawa, artista e jovem liderança que traduz a força da Aldeia Wanînawa em composições de rezos sagrados, e Kana Yawashahu, profunda conhecedora da espiritualidade e das medicinas da floresta que ancora o saber ancestral, a apresentação é um convite à conexão.
Entre cantos e histórias, o público é convidado a sentir o pulsar do Acre no asfalto, em uma celebração de resistência, beleza que atravessa gerações e uma oportunidade rara de vivenciar a sofisticação estética e espiritual de um povo que guarda os segredos da mata e os compartilha através da arte e da palavra.
Sobre a Comitiva Wanî Saí Keneya
É a expressão artística e espiritual do Povo Noke Koî – os “Gente Verdadeira” – provenientes das terras ancestrais do Rio Gregório e do Rio Tarauacá, no Acre. O grupo nasce com a missão de salvaguardar e difundir a cultura viva de sua aldeia, servindo como uma ponte entre a profundidade da floresta e os palcos do mundo urbano. Em língua Pano, remete à força dos grafismos e à voz da floresta. Sua sonoridade é enraizada nos cantos sagrados (rezos) e nas canções de celebração da tradição Pano, mesclando vozes e maracás, composições autorais e a ambientação sensorial dos grafismos vivos (kené), defumações e a narração de mitos que transportam o público para o coração da Amazônia. Trazendo a força da cura e a profundidade dos estudos ancestrais para a cena, integram a Comitiva:
- Shapo Waninawa, filho do antigo Pajé-Cacique Ni’i Wanînawa, é expoente da nova geração de lideranças da Aldeia Wanînawa, reconhecido como um talentoso compositor de rezos sagrados, cujas obras e canções traduzem a cosmologia Noke Koî para linguagens contemporâneas; e
- Kana Yawashahu, guardiã dos saberes femininos, mestre na aplicação e no ensino dos grafismos sagrados (kene), que representam uma oração visual que protege e identifica o espírito a partir da visão de mundo Noke Koî, e estudiosa da espiritualidade e das medicinas da floresta.
Sobre o Povo Noke Koî (Katukina)
Desde a primeira metade do século passado, os registros históricos produzidos por missionários, viajantes e agentes governamentais sobre as populações indígenas do rio Juruá fazem referência a grupos indígenas conhecidos pelo nome de “Katukina” (ou Catuquina, Katokina, Katukena e Katukino). Entretanto, é um termo genérico que chegou a ser atribuído a cinco grupos linguisticamente distintos e geograficamente próximos. Atualmente, esse número se reduz a três: um da família linguística Katukina, na região do rio Jutaí, no estado do Amazonas, e dois da família linguística Pano, no estado do Acre. Nenhum dos dois grupos pano conhecidos pelo nome de “Katukina” o reconhece como auto-denominação. Os membros de um deles, localizado às margens do rio Envira, próximo à cidade de Feijó (AC), preferem ser reconhecidos como Shanenawa, sua auto-denominação. Os do outro não reconhecem no nome “Katukina” qualquer significado na sua língua, mas o adotaram, dizendo que a denominação, na verdade, foi “dada pelo governo”. Nos últimos anos, a partir da atuação de jovens lideranças indígenas, está se consolidando o uso da denominação de Noke Koî (ou Noke Kuin e Nuke Kuĩ), que é livremente traduzida como “gente verdadeira”. Como em suas atuais “brincadeiras”, formas abreviadas de antigos rituais, em que a constituição da sociedade emerge da interação entre os participantes, os Noke Koî, que vivem em sete aldeias situadas em duas terras indígenas: a Terra Indígena Campinas/Katukina, no município de Cruzeiro do Sul (AC), e a Terra Indígena Rio Gregório, no município de Tarauacá (AC), enfatizam em sua própria história os contatos com grupos indígenas vizinhos, a partir dos quais reformulam e reconstroem seus arranjos sociais.
Sobre a Virada Cultural da Cidade de São Paulo
Inspirada no festival francês Nuit Blanche (na tradução, Noite Branca), é um evento promovido desde 2005 pela Prefeitura da Cidade de São Paulo, por meio da Secretaria Municipal de Cultura, que oferece atrações culturais gratuitas, durante 24 horas ininterruptas, para pessoas de todas as faixas etárias, classes sociais e preferências artísticas.
Por meio de apresentações em logradouros públicos e equipamentos oficiais, dentre outros espaços culturais parceiros, conquistou, nesses 21 anos de existência, o reconhecimento da mídia e do público, consolidando-se como um dos eventos nacionais mais importantes do Brasil, convidando a população a ocupar o centro da cidade, incentivando o convívio social através da cultura e possibilitando o acesso a diversas formas de arte.
Observações:
- atividade presencial e gratuita, sem necessidade de inscrição;
- para maior comodidade, aconselhamos chegar com 30 minutos de antecedência do horário da atividade.
