BOLETIM 10 – Do museu à escola, tecendo diálogos: Brincadeiras Indígenas

“As brincadeiras são de extrema importância para a formação das nossas crianças. Não se trata apenas de brincar, mas também de aprender e desenvolver, além de conhecer a diversidade cultural dessas brincadeiras.”
Ynaiê Máximo (Wassu-Cocal)
Em agosto de 2025, foi publicado pelo Centro de Formação do Museu das Culturas Indígenas o livro Do museu à escola, tecendo diálogos: Brincadeiras Indígenas, primeiro volume que integra a Coleção Transformação e Saberes. Este material se constitui como recurso didático aos professores e visa contribuir com a implementação da Lei federal 11.645/2008, que instituiu a obrigatoriedade do ensino da história e culturas indígenas no currículo escolar transversalmente ao longo de todo o ano letivo. É um material intercultural que traz reflexões e informações introdutórias para o trabalho em sala de aula, direcionado aos educadores interessados em enriquecer suas práticas pedagógicas com conteúdo de autoria indígena que retrate a diversidade cultural dos povos originários de Pindorama de uma forma condizente com a realidade.
Esta publicação é fruto das pesquisas, partilhas e referências de uma equipe integrada por indígenas e não indígenas, elaborado em conjunto com o Núcleo de Ações Educativas do MCI, com destaque para os mestres de saberes e estagiários indígenas que aportaram com informações sobre suas respectivas comunidades, reunidas e expressas neste material por meio de textos, narrativas, ilustrações e propostas de atividades. As temáticas aqui abordadas originaram-se no ciclo “Encontro com educadores: temáticas indígenas na educação”, realizado pelo Centro de Formação nos últimos dois anos, que visa contribuir para a formação continuada do professorado através de atividades livres de olhares homogeneizadores, distorcidos, preconceituosos e estereotipados, a fim de ampliar repertórios teóricos e metodológicos, conteúdos e saberes sobre a diversidade dos povos indígenas brasileiros.

A coleção não pretende fornecer verdades absolutas ou definitivas. Algumas das informações mencionadas foram tecidas a partir da oralidade, com respeito às comuns variações entre regiões e comunidades. Essa diversidade reforça a importância de refletir sobre a inclusão de conteúdos indígenas na educação e os diferentes modos de transmissão de conhecimento entre povos, gerações e contextos.
Para aprofundar cada um dos temas apresentados, recomendamos que as escolas promovam momentos formativos a partir de bibliografias de autoria indígena, além de escuta e trocas diretas com anciões indígenas e que realizem atividades imersivas nos territórios. Isso favorece um aprendizado mais profundo e significativo, promovendo um entendimento vivenciado e colaborativo dos saberes indígenas.


Por fim, queremos destacar que os saberes e práticas compartilhados, como brincadeiras, palavras em línguas originárias, alimentos e medicinas, não precisam ser necessariamente reproduzidos em sala de aula. Em vez disso, incentivamos que os educadores imaginem formas diferentes de aplicar de modo respeitoso o conteúdo. Sugerimos que investiguem junto às suas turmas as tradições e referências culturais presentes nas próprias famílias, que possam ter origens ou significados próximos às culturas indígenas.
É importante ressaltar que as informações contidas neste caderno são um recorte da enorme diversidade de culturas indígenas. Portanto, contemplam apenas algumas das muitas formas de brincar, de significados, de nomes e de grafismos, que podem variar de uma fonte para outra. Encorajamos educadores, crianças e adultos a explorarem o universo indígena brasileiro, a diversidade de instrumentos lúdicos e a potencialidade pedagógica das atividades, jogos e brincadeiras.


Esses textos se constituem como um meio de apresentar outras poéticas e estéticas, seja na sala de aula ou em outros espaços, é um convite para ver com outros olhos, escutar outras vozes e conhecer outras histórias. Nascem de diferentes contextos culturais e linguísticos indígenas, e precisam de mais visibilidade, escuta e espaços de troca. Essa circulação precisa adentrar os espaços educacionais de forma mais contundente e acompanhada de uma consistente formação inicial e continuada dos professores.
Ao final do caderno, incluímos algumas sugestões de atividades que podem auxiliar os educadores na abordagem dos temas de maneira crítica e criativa, sempre com respeito às particularidades de cada contexto sociocultural.
Aproveitem!
Centro de Formação – MCI.
Referência:
CENTRO DE FORMAÇÃO DO MUSEU DAS CULTURAS INDÍGENAS. Do museu à escola, tecendo diálogos: brincadeiras indígenas. São Paulo: ACAM Portinari, 2025. Disponível neste link. Acesso em: 27 nov. 2025.
