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FLAN | Contação de Histórias MCI – “Muito Antes do “Era Uma Vez”: águas, árvores e serpentes que sustentam o mundo”, com Fitsaká, Xipu Puri e Yriwana Teluira Karajá

Local:

MCI | 7º Andar

Data:

07/11/2026, sábado, das 16h às 17h

Entrada:

gratuita

Vagas:

30 (trinta)

Informações:

(11) 3873-1541

Classificação:

Livre

ATIVIDADE PRESENCIAL E GRATUITA, COM INSCRIÇÃO POR ORDEM DE CHEGADA, ATÉ O ESGOTAMENTO DAS VAGAS.

Muito antes dos castelos distantes e das fadas europeias monopolizarem o imaginário infantil, este chão já era sustentado pela força dos rios, pela cura das plantas e pelo movimento das serpentes sagradas. Integrando a programação do 2º Festival Literário Ayvu Nhevaitim (FLAN), esta edição especial do Programa de Contação de Histórias do MCI convida crianças, famílias e educadores a trocar as fábulas ocidentais por narrativas vivas, sopradas por quem herdou a memória no próprio corpo.

Nesta roda, a oralidade se afirma como literatura originária de pleno direito. Alinhada ao tema “Boacé Uchô – A Palavra Está na Terra”, a atividade transforma a escuta em um ato de afeto, acolhimento e cuidado coletivo, provando que a palavra ancestral não depende do papel para demarcar o território e ensinar sobre a vida.

Três Mestres de Saberes assumem a condução do encontro para compartilhar as memórias de seus biomas:

“Os Filhos do Berohoky: da profundeza das águas à vida na terra” | Yriwana Teluira Karajá conta o tempo em que o povo Iny Mahãdu habitava as profundezas do rio Araguaia até a decisão de emergir para a superfície. É uma reflexão direta sobre os impactos da presença humana na natureza e sobre o valor das origens.

“A Anciã, A Árvore” | Vindo do sertão e da resistência Pankararu, Fitsaká traz a história da amizade e da cumplicidade entre uma velha mulher e uma Aroeira, de onde brota o conhecimento da medicina tradicional. Uma narrativa adaptada da obra da escritora Auritha Tabajara.

“A Antiga Serpente que Encantou o Mundo” | Xipu Puri apresenta o conto autoral sobre um menino nascido do sopro da jararaca que caminha pela noite portando um vaso de barro com os nomes ancestrais do povo Puri. O encontro com a Vó Serpente provoca um abalo nas entranhas do chão, fazendo o mundo renascer.

Formar as novas gerações a partir dessas cosmologias não é mero entretenimento de fim de semana, mas um posicionamento político. Trazer os mais novos para este círculo desmonta o olhar predatório sobre o meio ambiente e planta o entendimento vital de que a terra é mãe, a história é viva e a memória precisa ser guardada por todos nós.

Sobre Fitsaká
Bioma Caatinga | Indígena Pankararu e Mestre de Saberes no Museu das Culturas Indígenas. Nascido em São Paulo em um contexto urbano e criado entre a cidade e meu território de origem no Brejo dos Padres (PE), transito com fluidez entre a tradição do meu povo e o contato constante com a sociedade não indígena. Luto diariamente pela preservação e valorização da minha cultura com a convicção de que o nosso território é onde nós estivermos, fazendo o toré ecoar por esta aldeia de pedra para manter viva e pulsante a ancestralidade que me criou.

Sobre Xipu Puri
Bioma Mata Atlântica | Historiador, Mestre em Letras pela Universidade Federal de Ouro Preto (UFOP) e pós-graduando em Arte: Crítica e Curadoria pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP). Suas produções artísticas compreendem diversos tipos de linguagem e suas obras transitam, sobretudo, pela literatura, música, artes visuais e o teatro. Nascido no interior de Minas Gerais, região de Mata Atlântica, migrou-se para São Paulo, onde atua como consultor e integra o Núcleo de Ações Educativas do Museu das Culturas Indígenas como Mestres de Saberes.

Sobre Yriwana Teluira Karajá
Bioma Amazônia e Cerrado (transição) | Indígena da etnia Iny Mahãdu (povo do rio), nascido na Aldeia Hãwalò, na Ilha do Bananal (maior ilha fluvial do planeta), banhada pelo rio Berohoky (nome dado ao Rio Araguaia na língua Iny Rybè, falada pelo povo Iny, significando “caminho” ou o “grande rio”), na divisa do Tocantins com o estado de Mato Grosso. Tem profunda conexão com os grafismos, brincadeiras e cantos de seu povo. Atualmente, vivendo em contexto urbano no município de São Paulo, faz parte da equipe do Núcleo Educativo do Museu das Culturas Indígenas como Mestre de Saberes.

Sobre o Programa de Contação de Histórias MCI
Lançado em 2024, é um encontro mensal voltado a crianças e famílias, dedicado aos saberes e cosmologias dos povos originários. Mais do que ouvir narrativas, o programa propõe uma imersão em diferentes modos de viver, estar e cuidar do mundo. É um espaço de escuta ativa que celebra a pluralidade de vozes indígenas, promovendo o diálogo intercultural e o respeito à diferença desde a infância.

Ao longo dessa trajetória, o programa recebeu narradores que compartilharam a força de suas ancestralidades e suas vozes ecoaram:

2024: Lilly Baniwa (Baniwa); Luã Apyká (Tupi-Guarani); Naktamanãã Kuparaka (Pataxó); Dario Machado, Gerolino Cézar e Ranulfo Camilo (Terena); Kuenan Tikuna (Tikuna/Magüta); Djagwa Ka’agwy Kara’i Tukumbó (Guarani Mbya); Cristino Wapichana (Wapichana); Énh xym Akroá Gamella (Akroá Gamella); Coletivo Kanewí, com Júlia Maynã (Xukuru-Kariri) e Awassury Fulkaxó (Fulkaxó); Sônia Ara Mirim (Xukuru-Kariri) e Natalício Karaí de Souza (Guarani Mbya); Tserenhõ’õ Tseredzawê (Xavante); e Xipu Puri (Puri) e Abi Poty (Potyguara).

2025: Wera Xuru (Guarani Mbya); Elzeni Kaimbé (Kaimbé); Siriani Huni Kuin (Huni Kuin/Kaxinawá); Ediele Pankararu (Pankararu) e Ynaiê Máximo (Wassu-Cocal); Cristine Takuá (Maxakali), Maria Ara Poty (Guarani Mbya), Sônia Ara Mirim (Xukuru-Kariri) e Tamikuã Txihi (Pataxó); Lucia Benite (Guarani Mbya); Mulheres das Aldeias Piulewene e Ulupuwene (Waurá); Dani Mara (Borun e Pataxó); Tsinaki Ashaninka (Ashaninka); Maria Lídia e José Pankararu (Pankararu); Olivio Jekupé (Guarani Mbya); e Yndyan Fulkaxó (Fulkaxó), Laís Santos, Michele Saints, Simone Pankararu e Upya Pankararu (Pankararu), Txayane Fulni-ô (Fulni-ô) e Júlia Maynã (Xukuru-Kariri).

2026: Jhennifer Willys (afro-indígena, Tikuna e Kokama); Kawakani Mehinako (Mehinako); Maiara Astarte (Guajajara); Pedro Pankararé (Pankararé); Reinaldo Karai Tukumbo (Avá-Guarani); e Awassury Fulkaxó (Fulkaxó) e Silvia Nogueira; Mew Yawanawa (Yawanawa); e Emerson Baré (Baré), Fitsaká (Pankararu), Xipu Puri (Puri) e Yriwana Teluira Karajá (Iny Mahãdu); Kena Marubo (Yura ou Yora); e Txana Paê Inu Bake (Huni Kuī).

Observações:

  • atividade presencial e gratuita;
  • inscrição por ordem de chegada ou até esgotamento das 30 (trinta) vagas;
  • a abertura das inscrições se dará 30 (trinta) minutos antes do início da atividade;
  • para maior comodidade, aconselhamos chegar com 1 hora de antecedência do horário da atividade
  • apenas crianças de colo, com até 24 meses incompletos, não necessitam de inscrição, respeitando a quantidade de vagas disponíveis;
  • caso seja necessário intérprete de libras para acompanhar a atividade, enviar solicitação por e-mail para contato@museudasculturasindigenas.org.br, com pelo menos 72 horas de antecedência;
  • a participação de crianças menores de 12 anos só é permitida se acompanhada de um responsável maior 18 anos de idade;
  • para conforto e segurança de todos os participantes, nas áreas expositivas, não é permitida a entrada com malas, mochilas, dentre outros tipos de bolsas grandes. Pedimos a gentileza de consultar a disponibilidade e utilizar nosso guarda-volumes, localizado no Térreo/Recepção. Bolsas de amamentação ou com medicação são as únicas exceções permitidas;
  • ao participar das atividades presenciais do Museu das Culturas Indígenas (MCI), registros fotográficos e em vídeo podem ser feitos pela equipe. O seu uso será exclusivamente para fins de divulgação institucional e promocional do MCI. Caso tenha alguma objeção a essas finalidades, informe nossa equipe.

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