Ayvu Porã – As Belas Palavras
Iluminado por uma luz que emana do próprio coração, Nhanderu surge da noite originária, criando a si mesmo. Sentado, com um cocar sobre a cabeça ao redor do qual voa Mainõ — o colibri —, ele sustenta nas mãos o Popygua’i, instrumento sagrado, símbolo de sua potência criadora.
Enquanto sopram os ventos primeiros, Nhanderu faz nascer as chamas sagradas e a neblina, iniciando sua obra maior: a palavra, fundamento da linguagem humana.
Ayvu Porã — As Belas Palavras — é o nome dado ao conjunto de rezas e cantos tradicionais da cultura Guarani, mantidos vivos na memória e na voz dos guardiões dessa sabedoria: nossos xeramoi kuery e xejaryi kuery.
É a partir do elemento desse instrumento sagrado — a madeira — que celebramos a palavra em sua forma original, viva e intraduzível. No corpo das árvores de nossos territórios, buscamos gravar os cantos e rezas desses sábios — nossas árvores ancestrais — sob cuja sombra encontramos acolhimento, orientação e proteção.
Ipy’a gui onhemoexakã, pytū marae’y py Nhanderu’i onhembojera.oguapy reve, Akã regua inhakãre oī reve mainō’i oveve reve ombojere’i, opopygua’i oguereko, nhembojaru rupi gua he’yn, ha’e va’e rupi onhembojera raka’e.
Ijypy ma yvytu, Nhanderu ho’arandu rupi ojapo tatarendy ha’e hataxin gui yvyxī ju ojeapo, hembiapo ete ja’ea ve omboypy: ayvu, ayvu rapyta onhempyru ma.
AYVU PORÃ – nhemongueta porã, kova’e ma nhaneramoi kuery, nhandejaryi kuery jeroviaa rupi oguerojapykaa ha’e tarova nhendu’i rupi voi onhemoexakã, ayn peve ha’e kuery oguereko.
Kova’e tembiporu arandu – yvyra gui – onhemoexakã ramo roguerovy’a anhentegua ayvu oiko va’e, rive py ojereroayu va’e rã he’yn. Yvyra ymã mamo rã tekoa oin ma guive rã ikuai, roeka havi oreakã re romoī aguã mborai’i ha’e tarova roupity aguã ha’e kuery arandu rupi – nhande yvyra ymã – ha’e kuery vy aema jaikuaa nhanekangy he’yn aguã, nhemongueta ha’egui jajereraa jepe aguã.
Coletivo Tenonderã Ayvu

“Ayvu Porã – As Belas Palavras” convida o público a conhecer a força da palavra na cosmologia Guarani Mbya. Entendendo a língua como uma conexão entre a Terra, o Céu e os ancestrais. A exposição apresenta narrativas e formas de viver que atravessam gerações, revelando a riqueza de um universo guiado pela escuta e pela oralidade, e como isso se transforma em coletividade.
A exposição fica em cartaz no MCI até dezembro de 2026.
GOVERNO DO ESTADO DE SÃO PAULO
SECRETARIA DA CULTURA, ECONOMIA E INDÚSTRIA CRIATIVA
ACAM PORTINARI – ORGANIZAÇÃO SOCIAL DE CULTURA
Sérgio Roberto Urbano
Presidente do Conselho Administrativo
Angelica Fabbri
Diretora Executiva
Luiz Antonio Bergamo
Diretor Administrativo Financeiro
INSTITUTO MARACÁ
Diretoras
Cristine Takuá
Adriana Calabi
MUSEU DAS CULTURAS INDÍGENAS
Davidson Panis Kaseker
Gerente de Unidade
EXPOSIÇÃO “AYVU PORÃ – AS BELAS PALAVRAS”
Criação
Coletivo Tenonderã Ayvu
Curadoria
Roberto Veríssimo Werá
Sonia Jera Poty
Eduardo Duwe
Xeramoi e Xejari Kuery – Mestres
Alcides Wera Poty
Angelina Gabriel Para Poty
Bastião Karaí Tataendy
Carlos Papa
Maria Lucia Tataxin Yva Rete Ixapya
Vergínia Veríssimo Jera Poty
Coordenação de Oficinas de Escuta, Desenho e Xilogravura
Capi
Mestre de Papel Artesanal
Katsutoshi Mori
Consultoria e Impressão de Gravura a Base de Água
Fernando Saiki
Equipe Assistente
Liziane dos Santos Ara
Renato Jexaká da Silva
Isabel dos Santos Yva
Projeto Expositivo
Hugo Reis Ribas
Produção
Luisa Mota
Montagem
Diego Ferreira da Cruz
Sofia Brant Tavares Pereira
Comunicação
Débora Roque Fifolato
Leandro Karaí Mirim
Gabryelle Pereira da Silva
Pedro Henrique Cardoso Norte
Programação
Clarice Josivânia da Silva
Mateus Marques Tozelli
Projeto Gráfico
Leonardo Toshio Furukawa
Edição de Vídeo
Aaron Fernandez
Marketing Digital
Agência Inova House
Assessoria de Imprensa
Agência Galo
Acessibilização
Inclua-me
Agradecimentos:
Às comunidades das Terras Indígenas Takuari-ty (Cananéia), Guyra Pepó (Tapiraí), Rio Silveira (Bertioga), Jaraguá (São Paulo), Tangará (Itanhaém) e Ka’aguy Hovy (Cananéia), bem como às equipes do Instituto Çarê, do Instituto Acaia e da Escola Viva Guarani Arandu Porã, com especial reconhecimento a Abílio Wera Poty, Eliana Kerexu, Leonardo Wera, Leonardo Karai, Cleo Varyju Poty, Jaqueline Yva Rete`a, Arlindo Karai Mirim, Aly da Costa, Izulina Yva Rete Mindua, Agostinha Jajuka, Luciano Karai Tataendy, Ratoio Castro, Luiza Yva Poty, Vitor Karai Mirim, Silvia Waryju, Karina Saccomanno, Alice Alves, Gabi Mariano, Fabrício Lopez, Gil Fuser e Sophia Dias, além de todos os amigos e parceiros que nos apoiam, incentivam e fortalecem a arte e a divulgação da cultura Guarani Mbyá.



