Museu das Culturas Indígenas lamenta o falecimento de Catarina Kunhã Nimbopy’ruá
Liderança Tupi-Guarani, educadora e conselheira do Aty Mirim, Catarina dedicou sua vida à defesa dos direitos indígenas e à construção de caminhos para as futuras gerações.

São Paulo, junho de 2026 – É com profundo pesar que o Museu das Culturas Indígenas (MCI) recebe a notícia do falecimento de Catarina Delfina dos Santos, Catarina Kunhã Nimbopy’ruá, liderança Tupi-Guarani, educadora, rezadora, defensora dos direitos indígenas e conselheira do Aty Mirim, instância que assegura o protagonismo dos povos indígenas na construção e condução do MCI, instituição da Secretaria da Cultura, Economia e Indústria Criativas do Estado de São Paulo, gerida pela ACAM Portinari (Associação Cultural de Apoio ao Museu Casa de Portinari), em parceria com o Instituto Maracá e o Conselho Indígena Aty Mirim.
Nascida em 1950, na Terra Indígena Bananal, no litoral de São Paulo, Catarina dedicou sua vida à luta pelos direitos dos povos indígenas, atuou de forma pioneira em frentes como território, saúde, cultura e educação. Durante a década de 1970, participou da composição da União das Nações Indígenas (UNI), ao lado de importantes lideranças do movimento indígena nacional. Formada em Pedagogia, esteve à frente de importantes processos relacionados à Educação Escolar Indígena no Estado de São Paulo, tornando-se uma referência para diferentes gerações.
Liderança da Terra Indígena Piaçaguera, em Peruíbe, Catarina também atuou como professora, vice-diretora escolar, mestre artesã, autora do livro infantil Contos da vovó e do vovô tupi-guarani e coautora da publicação Diretrizes para a Gestão e Bem-Viver, dedicada à gestão territorial indígena. Sua trajetória foi marcada pelo compromisso permanente com a preservação dos saberes ancestrais, das línguas indígenas e da memória de seu povo.
No Museu das Culturas Indígenas, Catarina esteve presente desde os processos que antecederam a criação da instituição e contribuiu de maneira decisiva para a consolidação deste espaço, que ela reconhecia como uma TAVA — uma Casa de Transformação. Como conselheira do Aty Mirim, participou ativamente da construção dos caminhos institucionais do museu, compartilhou conhecimentos, orientou decisões e fortaleceu o compromisso da instituição com a escuta e o protagonismo indígena.
Ao longo dos quatro anos de atuação da instituição, Catarina esteve presente em diversas atividades, contribuiu com formações e ações voltadas à valorização dos conhecimentos tradicionais. Sua presença generosa, sua palavra firme e seus ensinamentos deixaram marcas profundas em todos que tiveram a oportunidade de caminhar ao seu lado.
O Museu das Culturas Indígenas se solidariza com seus familiares, amigos, parentes, com o povo Tupi-Guarani, com os integrantes do Conselho Aty Mirim e com todas as pessoas que tiveram suas vidas transformadas por sua atuação e seus ensinamentos.
A memória, a luta e o legado de Catarina Kunhã Nimbopy’ruá permanecerão vivos na história do movimento indígena, do Museu das Culturas Indígenas e de todos aqueles que seguem construindo caminhos de bem-viver, justiça e fortalecimento dos povos originários.
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