Festival Literário Ayvu Nhevaitim (FLAN) – Encontro de Vozes Indígenas: “palavras em pele de papel”
Local:
MCI | 7º Andar, Pátio e YouTube
Data:
18 a 23/11/2025
Entrada:
gratuita
Vagas:
Conforme atividade
Informações:
(11) 3873-1541
Classificação:
Livre

- Nas atividades VIRTUAIS (18 e 19/11/2025): NÃO há necessidade de inscrição, bastando acessar o canal do YouTube do MCI.
- Nas atividades PRESENCIAIS (20 a 23/11/2025): entrada por ordem de chegada, a partir de 1 (uma) hora antes do início, até o esgotamento das vagas.
O Museu das Culturas Indígenas (MCI) traz o Festival Literário Ayvu Nhevaitim (FLAN) – Encontro de Vozes Indígenas. O evento será uma celebração da literatura que valoriza a autoria das identidades indígenas brasileiras, destacando suas histórias nas primeiras publicações editoriais no país.
Com curadoria de Trudruá Dorrico Makuxi, “Palavras em pele de papel”, conceituado por Davi Kopenawa a partir da expressão Yanomami “papeo siki” (pele de papel), é o tema escolhido para essa primeira edição do FLAN, realizada entre os dias 18 e 23 de novembro de 2025, em alusão às palavras ritualizadas no livro, este novo suporte de memória adotado como ferramenta de luta e resistência pelos sujeitos indígenas.
Transformando a oralidade em “pele de papel”, os escritores indígenas inauguraram um novo capítulo de protagonismo que, desde então, busca uma representação que celebre os modos de vida, as cosmovisões, as narrativas ancestrais e históricas reelaboradas criativamente.
De forma a retransmitir e potencializar a mensagem do escritor e liderança Marcos Terena, “posso ser quem você é, sem deixar de ser quem eu sou”, surgida na década de 80 durante a luta dos povos indígenas por direitos constitucionais, este 1º FLAN propõe-se a agradecer e homenagear os primeiros escritores indígenas a lutar pelo espaço da escrita, da publicação, das narrativas que atualmente reescrevem a história indígena no Brasil.
Com atividades voltadas para todas as idades – nos formatos presenciais e virtuais -, o evento reunirá autores, editores, artistas e o público geral em uma programação intensa de seis dias, com rodas de conversa, oficinas criativas, saraus, contações de história, feira de livros e mediações para escolas.
PROGRAMAÇÃO
18/11/2025, terça-feira
Das 15h00 às 16h00: Ayvu Nhevaitim: pássaros e plantas, personagens ou antepassados?, com Timóteo Verá Tupã Popygua e Ubiratã Awá Baretédjú, mediados por Paula Guajajara [VIRTUAL]
19/11/2025, quarta-feira,
Das 15h00 às 16h00: Poesia Indígena Contemporânea: rio e sol, com Sony Ferseck e Ellen Pirá Wassu, entrevistadas por Trudruá Dorrico Makuxi [VIRTUAL]
20 a 23/11/2025, quinta-feira a domingo,
Das 10h00 às 17h00: Feira Literária
20/11/2025, quinta-feira
Das 11h00 às 12h00: Palestra de Abertura – A Literatura Indígena para todas as Infâncias, com Daniel Munduruku
Das 14h00 às 15h30: Lançamentos de Autoria Indígena
Das 16h00 às 17h30: Romance Indígena: como criar uma narrativa longa?, com Ezequiel Vitor Tuxá e Ytanajé Cardoso Munduruku, mediados por Carina Pataxó
Das 18h00 às 20h00: A Festa dos Encantados
21/11/2025, sexta-feira
Das 11h00 às 12h00: Um rio sem fim: a escrita da narrativa longa, com Verenilde Pereira
Das 14h00 às 15h30: Poesia: cordel e verso livre recitando ancestralidade, com Auritha Tabajara e Tiago Hakiy, mediados por Muru Huni Kuin
Das 16h00 às 17h30: Leitura Coletiva de “TYBYRA: uma tragédia indígena brasileira”, com Juão Nÿn
22/11/2025, sábado
Das 11h00 às 12h00: Discussão sobre as obras “Mandi reko – o conto de Mandí” e “Nós somos só filhos!”, com Luã Apyká e Sulamy Katy
Das 14h00 às 15h30: Cidadãos da Selva: a literatura e a política indígena no Brasil, com Marcos Terena
Das 16h00 às 17h30: Autoria indígena feminina: o conto infantil, com Maria Lucia Takua e Mathilde Makuxi, mediadas por Aly David Arturo Yamall Orellana
23/11/2025, domingo
Das 11h00 às 12h00: O Conto Guarani: quando é história de origem e quando é ficção, com Olivio Jekupé
Das 14h00 às 15h30: Por que Escrevo Poesia?, com Barbara Matias Kariri e Aline Rochedo Pachamama (Churiah Puri), mediadas por jamille anahata
Das 16h00 às 17h00: FLAN recebe o uruKum Sarau, articulado por jamille anahata
Das 17h00 às 18h00: Show de Encerramento, com Oz Guarani
Contexto
Embora a tradição indígena seja essencialmente oral, a década de 70 marcou um período de organização e conscientização, com autores oriundos dos povos originários começando a escrever e publicar suas obras, muitas vezes em resposta às políticas do governo militar e à busca por afirmação cultural. Nesta conjuntura, observa-se a história da produção literária, realizada fora e dentro de territórios, que une uma tecnologia e um código criados pelos não-indígenas, ao saberes ancestrais, num registro escrito da memória oral. Os textos, narrativas, poesias e contos indígenas aparecem como meios de lembranças das suas culturas étnicas, do contato imersivo e violento com os brancos, ou da autodeterminação dos povos, assuntos do passado e do presente registrados em palavras, acessíveis tanto para o público indígena, quanto para os demais.
Com uma vasta lista de representantes dessa primeira geração de autores indígenas no Brasil, que trazem conceitos centrais cunhado pelos próprios povos e suas recentes teorias, temos Graça Graúna, Daniel Munduruku, Cacique Payaya, Olívio Jekupé, Eliane Potiguara, Verenilde Pereira, Mario Dzuruna Butsé (Mario Juruna – Tsitsina Xavante), Ailton Krenak, Ademario Ribeiro Payayá, Juvenal Payayá, Manoel Moura Tukano, Marcos Terena, entre outros.
Por que “Ayvu Nhevaitim”?
O nome do Festival Literário realizado pelo Museu das Culturas Indígenas, do Guarani, significa “Palavras Semeadoras”. Tem por objetivo trazer elementos com grande poder de influência, que promovam a reflexão, a transformação e o crescimento, agindo como sementes que germinam na consciência e propiciam atitudes e ações em direção à superação e à coletividade, a partir das histórias e memórias de resistência indígena, suas artes e produções artísticas e intelectuais.
Sobre Trudruá Dorrico Makuxi
Nascida Julie Dorrico (Guajará-Mirim – RO), é uma escritora indígena brasileira, do povo Macuxi. Doutora em Teoria da Literatura, pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUC-RS) e Mestre em Estudos Literários, pela Universidade Federal de Rondônia (UNIR). Até 2023, assinou a coluna “Trudruá Dorrico”, do portal ECOA/UOL (iniciada em 2021); em 2022, foi uma das juradas do Prêmio São Paulo de Literatura, realizado pela Secretaria da Cultura, Economia e Indústria Criativas do Estado de São Paulo (SCEIC-SP); e, no ano de 2021, foi uma das curadoras da “I Mostra de Literatura Indígena: território de palavras ancestrais”, realizado pelo Museu do Índio, da Universidade Federal de Uberlândia (UFU), e da 16ª Balada Literária, idealizada por Marcelino Freire. Atuando para difundir as culturas indígenas brasileiras, engaja o perfil do Instagram: “Leia mulheres indígenas” e é administradora do canal no YouTube “Literatura Indígena Contemporânea”. É autora de “Eu sou Macuxi e outras histórias”, pela Caos e Letras (2019), tendo recebido o Prêmio Tamoios de Textos de Escritores Indígenas, realizado pela Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil (FNLIJ), em parceria com o Instituto Uka – Casa dos Saberes Ancestrais. Também lançou “Tempo de retomada” pela Editora Autêntica (2025), “Makunaima morî mai: palavras belas de Makunaima”, pela Editora Fósforo/Círculo de Poemas (2025). Ainda em 2025, lança “O lago Pri Pri”, voltado para o público infanto-juvenil, pela Companhia das Letrinhas. É co-organizadora da obra “Originárias: uma antologia feminina de literatura indigena”, pela Companhia das Letrinhas (2024), que reúne 12 autoras indígenas. Em 2025, sua obra “Tempo de retomada” foi tema do Boi Caprichoso, no Festival de Parintins. É curadora do Caju de Leitores, festival de literatura indígena que acontece na Aldeia Xandó, Terra Indígena Barra Velha, sul da Bahia.

FICHA TÉCNICA
Realização: Museu das Culturas Indígenas (MCI)
Curadoria: Trudruá Dorrico Makuxi
Articulação: Davidson Panis Kaseker
Produção Executiva: Cecília Gonçalves Gobbis e Mateus Marques Tozelli
Produção Operacional: Clarice Pankararu, Camila Gauditano de Cerqueira, Ana Paula dos Santos Salvat, Aly David Arturo Yamall Orellana, Ana Carolina Beserra da Silva, Leticia Yumi Shimoda, Siã Hunikuin Sales, Katia Lazarini, Yanka Godinho, Claudio da Silva Vera, Edney Pankararu, Kawakani Mehinako, Rhakany Aruani, Sonia Ara Mirim, Viviane Benite, Yriwana Teluira Karajá, Paula Guajajara, Rafaela Pakararu, Santiago Pankararu, Hugo Reis Ribas, Gilson Militão de Souza, Diego Ferreira da Cruz, Isadora Martins Monteiro, Denise Vieira dos Santos e Marcus Vinicius Bernardino de Souza
Comunicação: Leandro Karaí Mirim, Gabryelle Pereira da Silva e Wallace Emidio Nascimento Silva
Textos: Trudruá Dorrico Makuxi e Mateus Marques Tozelli
Agradecimentos: Instituto Maracá e Conselho Aty Mirim
Observações:
- para as atividades VIRTUAIS NÃO há necessidade de inscrição, bastando acessar o canal do YouTube do MCI;
- para as atividades PRESENCIAIS a entrada será por ordem de chegada, a partir de 1 (uma) hora antes do início, até o esgotamento das 30 (trinta) vagas de cada horário;
- com exceção de crianças de colo, com até 24 meses incompletos, todas as pessoas necessitam de ingresso, respeitando a quantidade de vagas disponíveis;
- para sua comodidade, aconselhamos chegar com antecedência de 30 minutos do horário da abertura da entrada;
- caso seja necessário intérprete de libras para acompanhar a atividade, enviar solicitação por e-mail para contato@museudasculturasindigenas.org.br, com pelo menos 72 horas de antecedência;
- a entrada/participação de crianças menores de 12 anos só é permitida se acompanhada de um responsável maior 18 anos de idade;
- para conforto e segurança de todos os participantes, não é permitida a entrada com malas, mochilas, dentre outros tipos de bolsas grandes. Pedimos a gentileza de consultar a disponibilidade e utilizar nosso guarda-volumes, localizado no Térreo/Recepção. Bolsas de amamentação ou com medicação são as únicas exceções permitidas.
