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Contação de Histórias MCI: Residência Artística “Memórias Feitas de Caroá” – Intervenções Finais

Local:

MCI | 7º Andar

Data:

20/12/2025, das 16h às 18h

Entrada:

gratuita, mediante inscrição

Vagas:

30 (trinta)

Informações:

(11) 3873-1541

Classificação:

Livre

As inscrições serão realizadas de 13 a 20 de dezembro ou esgotamento das vagas (o que acontecer primeiro).

No dia de realização da atividade, serão disponibilizados ingressos presenciais na bilheteria, a fim de preencher eventuais vagas de quem se inscrever previamente e não comparecer.

A última edição do Programa de Contação de Histórias MCI em 2025 traz a residência artística “Memórias Feitas de Caroá”, voltada a mulheres que carregam em suas histórias o fio contínuo da origem indígena de etnias do Nordeste e que hoje habitam a cidade de São Paulo. Idealizada pela artista-orientadora Júlia Maynã, pertencente à etnia Xukuru-Kariri (Palmeira dos Índios, Alagoas) e nascida no bairro Cachoeirinha, em São Paulo, a proposta nasce de sua pesquisa iniciada em 2020: “Despertar Criativo Ancestral: propostas artístico-pedagógicas reveladoras de apagamentos históricos”, apresentada na V Semana Científica do Agreste Pernambucano (2024) e publicada em seus anais.

No contexto indígena nordestino, o deslocamento forçado rumo ao Sudeste, muitas vezes imposto como alternativa para sobrevivência, foi uma das principais estratégias de apagamento histórico e cultural. Longe de seus territórios, essas famílias enfrentaram a negação de suas identidades e o silenciamento de suas práticas tradicionais. Ainda assim, reinventaram formas de resistência e seguiram transmitindo seus saberes entre panelas, gestos, valores, pinturas, rezas, histórias, corpos em movimento e canções.

A apresentação final da residência será uma performance cênico-musical viva resultado dos processos de criação e pesquisa desenvolvidos ao longo dos últimos meses, expressando a continuidade das tradições indígenas nordestinas no contexto urbano paulista.

Em cena, barros, fibras, cantos, danças, poesias, teatro, artes plásticas, artesanatos e fotografias se misturam à voz e à memória de mulheres frutos das migrações indígenas de povos do Nordeste para São Paulo. Entre elas, estão mulheres com origem nos povos Fulni-ô, Kariri-Xocó, Xucuru-Kariri, Pankararu e Fulkaxo, que vivem em São Paulo e pertencem a diferentes faixas etárias, compartilhando em suas trajetórias a origem indígena de povos do Nordeste.

Inspirado na força do caroá, fibra sagrada da Caatinga, o projeto celebra as memórias que resistem nos corpos e nas lutas dessas mulheres. É a partir dessas resistências – algumas visíveis, outras quase imperceptíveis – que a residência se constrói.

A proposta investiga os impactos intergeracionais da migração indígena, acolhendo tanto mulheres que mantêm vínculos vivos com suas comunidades, quanto aquelas que, diante de tantas violências e deslocamentos, tiveram esses laços interrompidos, mas seguem carregando, no corpo e na memória, as marcas profundas de suas origens e caminhos.

“Memórias Feitas de Caroá: mulheres frutos das migrações indígenas nordestinas para São Paulo” é um projeto realizado pelo Ministério da Cultura (MinC) e Governo do Estado de São Paulo, por meio da Secretaria da Cultura, Economia e Indústrias Criativas (SCEIC), pelo Fomento CULTSP, pela Política Nacional Aldir Blanc (PNAB) e pelo Programa de Ação Cultural (PROAC), selecionado no Edital 21/2024.

FICHA TÉCNICA
Concepção, idealização, direção geral, orientação artística, mediação dos processos de criação e direção cênica da apresentação final:
Júlia Maynã
Artistas-residentes e intérpretes-criadoras: Yndyan Fulkaxo, Michele Saints, Upya Pankararu, Txayane Fulni-ô, Laís Santos, Simone Pankararu e Júlia Maynã
Figurino: idealizado de forma coletiva, costurado por Karen Priscila Santana e customizado e pintado por Laís Santos, Upya Pankararu e Michele Saints
Coordenação de Comunicação: Ypituna Pankararu
Produção Executiva: Júlia Maynã
Apoio: Espaço Pankararu – Aldeia Multiétnica Filhos desta Terra e Condô Cultural

Sobre Júlia Maynã
Do povo Xukuru-Kariri, nasceu em contexto urbano pós-migratório, em São Paulo, no bairro Cachoeirinha. Sua aldeia de origem se localiza em Palmeira dos Índios (AL). É educadora, multiartista, produtora cultural e historiadora, licenciada pela Universidade de Pernambuco (UPE). Sua vivência entre a aldeia e a cidade a despertou a trabalhar com temas como migração indígena, memória ancestral, corpo-território, apagamento étnico e resistência cultural. É técnica em dança pela Escola Técnica de Artes do Centro Paula Souza (ETEC de Artes-CPS). Fez parte da equipe do Núcleo de Transformações e Saberes do Museu das Culturas Indígenas (NUTRAS-MCI), auxiliando no desenvolvimento de materiais pedagógicos como a coleção de “Cadernos Educativos Bem-Viver” (2024). É idealizadora do projeto “Memórias Feitas de Caroá: mulheres frutos das migrações indígenas nordestinas para São Paulo” (PROAC 21/2024) e cantora no Grupo Vocal Vozes Ancestrais. Escreve, produz e apoia projetos com foco em fortalecer a autonomia dos povos e territórios tradicionais. Além de sua atuação como agente cultural, Maynã também é artesã e trabalha com ervas, produzindo sabonetes, óleos, banhos de assento e pomadas naturais, mantendo viva a sabedoria ancestral do seu povo.

Sobre o Programa de Contação de Histórias MCI
Criado em 2024, é um programa mensal para crianças e suas famílias com foco nos saberes dos povos originários e na possibilidade de experiências de interação e compreensão da diferença. Promove a valorização da pluralidade de vozes e vivências, a partir do compartilhamento de narrativas sobre os modos de viver, estar e cuidar do mundo pela perspectiva de diferentes povos indígenas.

Em seu primeiro ano de realização, Lilly Baniwa, Luã Apyká, Natan Kuparaka, Dario Machado, Gerolino Cézar e Ranulfo Camilo, Kuenan Tikuna, Djagwa Ka’agwy Kara’i Tukumbó, Cristino Wapichana, Énh xym Akroá Gamella, Coletivo Kanewí (Júlia Maynã e Awassury Fulkaxó), Sônia Ara Mirim e Natalício Karaí de Souza, Tserenhõ’õ Tseredzawê e Xipu Puri e Abi Poty trouxeram suas histórias.

Observações:

  • as inscrições serão realizadas de 13 a 20 de dezembro ou esgotamento das vagas (o que acontecer primeiro);
  • ao adquirir mais de um ingresso, no campo “Informação do participante”, preencha com nome e e-mail correspondentes à pessoa que utilizará o ingresso;
  • apenas crianças de colo, com até 24 meses incompletos, não necessitam de inscrição, respeitando a quantidade de vagas disponíveis;
  • caso seja necessário intérprete de libras para acompanhar a atividade, enviar solicitação por e-mail para contato@museudasculturasindigenas.org.br, com pelo menos 72 horas de antecedência;
  • no dia de realização da atividade, serão disponibilizados ingressos presenciais na bilheteria, a fim de preencher eventuais vagas de quem se inscrever previamente e não comparecer;
  • para maior comodidade, aconselhamos chegar com 30 minutos de antecedência do horário da atividade;
  • a entrada/participação de crianças menores de 12 anos só é permitida se acompanhada de um responsável maior 18 anos de idade;
  • para conforto e segurança de todos os participantes, não é permitida a entrada com malas, mochilas, dentre outros tipos de bolsas grandes. Pedimos a gentileza de consultar a disponibilidade e utilizar nosso guarda-volumes, localizado no Térreo/Recepção. Bolsas de amamentação ou com medicação são as únicas exceções permitidas.

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