Memória Mura: Evento do MCI focaliza história e cultura de povo amazônico

13 de janeiro de 2023

Vivência será realizada no próximo sábado (21/01) sob a coordenação de Márcia Mura, doutora em História pela Universidade de São Paulo (USP);

O evento é gratuito e aberto ao público geral

Márcia Mura, doutora em História pela USP, vai coordenar a vivência sobre memória Mura. Crédito: Márcia Mura

São Paulo, janeiro de 2023 – Exímios guerreiros e reconhecidos por dominarem a arte da navegação, os indígenas da etnia Mura sobrevivem a séculos de embates com os povos não-indígenas e mantêm vivas até os dias de hoje as suas tradições históricas e culturais. É com o intuito de celebrar e aprender mais sobre este povo que foi organizado, para o próximo sábado (21/01), o evento “Vivência: tradições culturais e bem-viver Mura” no Museu das Culturas Indígenas (MCI), instituição da Secretaria de Cultura e Economia Criativa do Governo do Estado de São Paulo, gerida pela ACAM Portinari (Associação Cultural de Apoio ao Museu Casa de Portinari) em parceria com o Instituto Maracá e o Conselho Indígena Aty Mirim.

A vivência será realizada pela escritora e educadora Márcia Mura e seu filho, Tanan Mura. Nascida em Porto Velho, Márcia concluiu o doutorado em História pela Universidade de São Paulo (USP) com tese sobre a tradição oral de povos originários localizados nas margens do Rio Madeira e do Rio Amazonas – entre eles estão os Mura, etnia da qual faz parte.

“Faço um trabalho de recuperação de memória do nosso bem-viver e quero não só contar a nossa história como também apresentar os grafismos que pintamos, os nossos cantos e também as nossas poesias”, explica Márcia.

A vivência – totalmente gratuita e aberta ao público geral – será dividida em três momentos. No primeiro, marcado para ocorrer das 10 às 12h, serão conceituadas a arte, a escrita e as ações culturais e políticas por meio das quais se fortalece a memória Mura.

Das 14h às 16h, será realizada uma atividade formativa sobre grafismos indígenas, em que o público poderá ter acesso a pinturas corporais com tinta de urucum e jenipapo. “É um meio de aproximar os participantes fisicamente dos saberes tradicionais e seculares do povo Mura”, diz Márcia. Por fim, das 16 às 18h, ocorrerá o lançamento do livro “Tecendo memórias Mura e de outros parentes”, escrito por Márcia a partir de seu trabalho acadêmico, que estará à venda junto a outros objetos culturais criados pelo coletivo Mura, momento em que a autora dialogará com o público sobre o processo de criação do livro.

Memória Mura

Os Mura são um povo indígena que habita as regiões dos rios Madeira, Purus e Amazonas, no estado do Amazonas. Estão presentes também em centros urbanos no Amazonas e em Rondônia.

Os primeiros registros documentais a seu respeito datados do século XVII descrevem os Mura como um povo navegante, dono de grande mobilidade territorial e exímio conhecimento dos caminhos entre igarapés, ilhas e lagos da Amazônia. Desde o início do contato com os povos não-indígenas, sofreram diversos estigmas, massacres e perdas demográficas, linguísticas e culturais.

A partir do século XIX, passaram a se comunicar por meio do Nheengatu (Língua Geral Amazônica) para fazer intercâmbio com brancos, negros e outros povos originários e, subsequentemente, usando o português no cotidiano.

O povo Mura tornou-se famoso pela sua resistência no período colonial. Ainda no século XVII, foram responsáveis por retardar o avanço dos portugueses na Amazônia pelo Rio Madeira em mais de 100 anos. “Um funcionário da coroa portuguesa mandou uma carta dizendo que enquanto houvesse Mura vivo não existiria nenhuma vila e nenhuma agricultura que fosse para frente na região, pois destruíam as vilas e as plantações que eles faziam, para que fossem embora”, conta Márcia. Tal atitude fez com que os portugueses declarassem uma Guerra Justa – nome que davam aos massacres autorizados, em que ninguém poderia ser punido pela matança.

“Nós estávamos dentro da categoria criada pelos colonizadores como selvagens, os mais bravos, os piores dos piores, que poderiam ser mortos e escravizados porque nós não aceitamos ser súditos da coroa portuguesa”, contextualiza. Estima-se que no século XVII havia entre 60 mil e 30 mil indígenas Mura. Atualmente, o número é inferior a 10 mil.

Durante o período imperial, o povo Mura também marcou forte presença na Cabanagem. Ocorrida entre 1835 e 1840, a revolta exigia a independência da região do Grão-Pará e se estendeu por todo o território da Amazônia brasileira.

Já no século XX, o povo Mura protagonizou lutas pela demarcação de terras indígenas e vem construindo novos processos de fortalecimento e transmissão de suas tradições para o reconhecimento de sua cultura a nível nacional.

SERVIÇO

Vivência: tradições culturais e bem viver Mura
Data: sábado, 21/01
Hora: às 10h às 18h (horário de Brasília)
Entrada: gratuita (exclusivamente para a atividade)

Sobre o MCI

O Museu das Culturas Indígenas (MCI) é uma instituição da Secretaria de Cultura e Economia Criativa do Governo do Estado de São Paulo gerida pela ACAM Portinari (Associação Cultural de Apoio ao Museu Casa de Portinari) – Organização Social de Cultura – em parceria com o Instituto Maracá, associação sem fins lucrativos que tem como finalidade a proteção, difusão e valorização do patrimônio cultural indígena. O MCI apresenta uma proposta inovadora de gestão compartilhada a ser construída ao longo da experiência, com o fortalecimento do protagonismo indígena. É em espaço de diálogo intercultural, pluralidade, encontros entre povos indígenas e não-indígenas, onde a memória da ancestralidade permitirá aos diversos povos originários compartilharem suas mensagens, ideias, saberes, conhecimentos, filosofias, músicas, artes e histórias. Uma conquista dos povos indígenas, ainda em processo de construção, neste território na cidade, aberto para que o público entre em contato com sua própria história, e com outras histórias do Brasil.

MUSEU DAS CULTURAS INDÍGENAS (MCI)

Funcionamento: De terça a domingo, das 9h às 18h; às quintas-feiras até às 20h; fechado às segundas-feiras (exceto feriados)
Ingressos:  R$15,00 (inteiro) e R$7,50 (meia entrada); gratuito às quintas-feiras
Agendamentos: https://bileto.sympla.com.br/event/74784/d/149212.
Local: Museu das Culturas Indígenas (R. Dona Germaine Burchard, 451 – Água Branca, São Paulo/SP)
Informações: (11) 3873-1541
Site: www.museudasculturasindigenas.org.br

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