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Ygapó Terra Firme

Sala escura com telão mostrando uma mulher indígena

Para inauguração do Museu das Culturas Indígenas, o artista e curador Denilson Baniwa apresenta a exposição Ygapó: Terra Firme. Ocupando por seis meses dois andares do museu, a mostra é um convite para adentrarmos a floresta Amazônica por meio de experiências sensoriais. 

Ygapó, do tupi antigo “raízes d´água” é um ecossistema formado nas mais antigas regiões geológicas da Terra, foram milhões de anos de evolução para que uma flora resistente pudesse enfrentar as condições de contínuas mudanças e de um terreno pobre em nutrientes. Quanto as águas descem o solo é coberto por uma densa camada de matéria orgânica fazendo um grande tapete na floresta. A intervenção humana como mineração, desmatamento, barragens hidrelétricas e incêndios são as maiores ameaças a esse ecossistema.

No primeiro andar da exposição (quinto andar do museu), a terra da floresta está firme. Nesta sala, somos convidados a tirar os sapatos e caminhar sobre as folhas da Mata Atlântica e entre o corpo de uma árvore partida ao meio. Árvore que foi derrubada pela invasão imobiliária na aldeia do Jaraguá, que simbolicamente nos evoca a luta pela terra. Para ativação do espaço pela força Jaraguá, acontecerão seis oficinas-performances com os artistas da mesma aldeia. Teremos oficinas-performances de escultura em madeira, criação de instrumento musical, cestarias, adereços e outros, sendo uma performance por mês ao longo de seis meses.

No segundo andar da exposição (sexto andar do museu), as águas inundam a floresta de Ygapó, a fim de tornar a recuperação da floresta ainda possível. Nesta sala, somos convidados a tirar os sapatos, molhar nossos pés na água doce e dançar ao som e a imagem da projeção de oito videoclipes. Kaê Guajajara, MC Wera, Os Guaranis, Brisa Flow, Katú Mirim, Djuena Tikuna, os cantos Huni kuin e Makuxi têm suas imagens projetadas na parede e refletidas nas águas do Ygapó. Enquanto isso, a música movimenta o espaço e nossos corpos.  

Yagapó é a metáfora da resistência indígena que mesmo em constante ameaça externa, vem pela coletividade e compartilhamento de saberes tornar possível o vislumbre de uma futura existência. A dança, o canto, o fazer com as mãos e a conexão com as florestas são caminhos para a continuidade da cultura e da vida, mesmo que árvores caiam, sua matéria orgânica torna viável o nascimento de outras ainda mais fortes.

CURADOR

Denilson Baniwa
(Barcelos, AM, Brasil, 1984. Vive em Niterói, RJ, Brasil) é artista visual, curador, designer, ilustrador, comunicador e ativista dos direitos indígenas.

É reconhecido como um dos artistas contemporâneos mais importantes da atualidade por romper paradigmas e abrir caminhos ao protagonismo dos indígenas no território nacional.

Expôs seu trabalho em instituições como a Galeria de Arte da Universidade Federal Fluminense, 4º Festival Corpus Urbis (Oiapoque, AP), Centro Cultural Banco do Brasil, Pinacoteca de São Paulo, MASP, Centro Cultural São Paulo, Museu Afro Brasil Emanoel Araújo, Centro de Artes Hélio Oiticica, Museu de Arte do Rio (Rio de Janeiro, RJ), Bienal de Sydney (Austrália) e na Bienal de São Paulo.

Recebeu o Prêmio Pipa em 2019 e curou exposições no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro, no Getty Museum (Los Angeles, EUA) e no Museu das Culturas Indígenas, onde concebeu uma das exposições inaugurais e contribui para a criação da identidade visual desta instituição.

OS ARTISTAS

Siba Carvalho feat Lua MC - Pisa ligeiro

Etnia: Puri
Ano de publicação: 2021
Ficha Técnica:
Direção e Roteiro: Siba Carvalho
Produção: Rafaella Orneles
Filmagem: Kaisa Lorena, Monique Tarairiú e Heloisa Puri
Edição: Rafaella Orneles 
Composição Musical: Siba Carvalho e Lua Mc
Produção Musical: Mr. Wolf, Siba Carvalho e Synesthezk 
Participação Especial: Lua MC
Duração: 04:49
Youtube: https://www.youtube.com/watch?v=xRU1ntdUZfU

Sinopse:
Inspirado no futurismo indígena e com produção de Rafaella Orneles, o videoclipe da artista Siba Carvalho, do Povo Puri, reflete sobre vida e saúde em Pindorama antes da chegada dos colonizadores. Por meio de efeitos psicodélicos, a obra retrata a coexistência entre passado (raízes), presente e futuro (continuidade). O trabalho ecoa um grito através do canto que expressa os desafios e sentimentos de uma indígena que vive na cidade, percorrendo o caminho de retorno ao lar de seus parentes. Lua MC faz participação especial e traz o seu canto em louvor à Mãe Terra referenciando a Sagrada Ayahuasca, medicina da floresta que une ambas as artistas em ritual e inspira a produção da música e videoclipe gravado e produzido no período 2019-2020 e concluído em 2021.

Fonte: PURI, Siba C. Pisa ligeiro feat Lua Mc. Youtube, 2021. Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=xRU1ntdUZfU

Brisa Flow – Fique Viva

Etnia: Mapuche
Ano de publicação: 2019
Duração: 04:09m
Youtube: Brisa Flow – Fique Viva (Clipe Oficial)
Direção: Talita Brito
Montagem e edição: Arão da Silva
Equipamentos: Rafael Kent
Assistência fotografia: Anna Catharina
Direção de arte, figurino e chocalho de cabeça: Camila Valones
Elenco: Brisa de laCordillera e Ara Mirim (Sônia Barbosa)
Filmado em TekoayvyPora

Sinopse:
Em seus versos, a faixa Fique Viva fala sobre resistência diante da constante violência e tentativas de apagamento das populações indígenas e suas culturas. Pensando na sobrevivência das mulheres indígenas que vivem em meio urbano expostas a opressão. Fique Viva é como uma força, um chamado para reconectar com a ancestralidade e promover o fortalecimento.

Fonte: FLOW, Brisa. Faixa a faixa – Fique Viva. Youtube, 2019. Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=tAE1FXU8Xts

Forró NB – Arym kam boj

Etnia: Kayapó
Ano de publicação: 2021
Duração: 03:30
Canal do Youtube – Forró NB (Forró Kayapó) – Arym kam boj
Direção e câmera: Prai Kayapó 
Equipe: Blaze, Bybytxi Dj Ayok, Tabata, Nhere, alunos da escola Metyktire
Coordenação oficina: Mingugu

Oz Guarani – O índio é forte

Etnia: Guarani Mbyá
Ano de publicação: 2018
Duração: 04:50
Youtube: https://www.youtube.com/watch?v=iXIpDa28HQU
Oz Guarani ( raper Xondaro, Mano Glowers e Para Mirim participação Wera Mc
VIDEOCLIPE (créditos)
Produtora: Líquido Filmes – liquidofilmes@gmail.com
Direção: Jair Pires
Arte: Letícia Braga
Fotografia: Lucas Hideki, Luiz Bertolotti, Jair Pires
Assistente de fotografia: Hugo Yendo
Produção: Jair Pires e Lígia Simões
Edição: Lígia Simões, Lucas Hideki e Jair Pires
Roteiro: Lucas Hideki e Jair Pires
Drone: Sandro Andrey (ENS)
Elenco
Agnel Marques
Fernando Silvestre
Sérgio Seixas
Depoimento
Raper Xondaro

Sinopse:
“Não foi a gente que invadiu a cidade. A cidade que foi invadindo nossas terras…” Assim OZ Guarani traz a vivência do dia a dia nas aldeias do Jaraguá, em São Paulo, exaltando a força dos indígenas que vivem ali, resistindo. Denunciando a corrupção, a destruição da mata, a falta de demarcação, responsabiliza os juruá kuery (não indígenas), detentores de poderes, e destaca a força da população indígena.

Kaê Guajajara – Por dentro da Terra

Etnia: Guajajara
Ano de publicação: 2021
Duração: 03:45m
Youtube: Kaê – Por Dentro da Terra (Clipe Oficial)
Direção: Abimael Salinas 
Concepção e Roteiro: KAÊ
Edição e Montagem: Abimael Salinas (@abimaelsalinas)
Coreografia: André Henrique (@andrehenrique93)
Beleza:  KWARAHY (@eukwarahy)
Operador Câmera 1: Ariel Timbohyba (@ariel_timbohyba)
Operador Câmera 2: Abimael Salinas
Operador Drone: Joas Santos (@joassantos.oficial)
Produção Musical: patrickzaun (@patrickzaun)
Produção Executiva: Selo Azuruhu (@AZURUHU)

Sinopse:
Na faixa pertencente ao álbum Kwarahy Tazyr, Kaê Guajajara evidencia de forma poética a importância de se fortalecer na cultura e com a ancestralidade para lidar com o etnocídio que diminui, apaga e contesta a identidade dos povos originários.

MC Anarandá – Feminicídio

Etnia: Guarani Kaiowá
Duração: 03:33m
Youtube: https://www.youtube.com/watch?v=ZPND6plG4Zo
Produção do clipe: @puntoaureo, Tatiana Varela, Fabrício Borges
Produção cultural: Daniela Valle de Loro e Christophe Dorkeld
Produção musical: Bro MC’S
Ano de publicação: 2021

Sinopse:
Cantado em duas línguas,  Guarani Kaiowá e em Português, a música denuncia a violência contra a mulher, passando pelas várias facetas desta violência, ressaltando o feminicídio. MC Anarandá faz um chamado a todos que ouvem sua música para que não sejam coniventes com a violência contra a mulher e a denunciem.

Katú Mirim – Força

Etnia: Boe Bororo
Ano de publicação: 2019
Youtube: https://www.youtube.com/watch?v=OeffLz4zXMw
Voz, composição e edição de imagem: Katú Mirim
Beat: Philip Beat

Sinopse:
Em Força, Katú Mirim traz a resistência e o reconhecimento da música como elemento de união entre indígenas para seguir na luta e para não desistir diante da opressão do Estado.

Owerá – Jaguatá Tenondé

Etnia: Guarani Mbyá
Ano de publicação: 2021
Duração: 03:38
Youtube: https://www.youtube.com/watch?v=nCRfDMbVUn0
Voz, violão e produção: Owerá
Voz Camila Para Rete
Voz Maitê Ará da Silva
Orquestra e co-produção: Rod Krieger
Captação, mixagem, masterização e co-produção: Jander Antunes
Roteiro, direção, animação e finalização: Dejumatos
Pinturas corporais digitais:  Rosa LauraConcepção do filme Dejumatos, Owerá, Lia Vessoto e Café8

Sinopse:
Jaguatá Tenondé traz um pouco da cultura tradicional Guarani Mbya, tendo como foco central a espiritualidade. A música retrata a grandiosidade de Nhanderu que guia e ilumina os caminhos.

PROGRAMAÇÃO CULTURAL: ATIVAÇÕES 2022 E 2023

“Toré - Dança Ritual Pankararu”

Data: 23/07/2022 (sábado)

O MCI apresenta na exposição Ygapó – Terra Firme, o “Toré – Dança Ritual Pankararu”, considerada o símbolo maior de resistência e união entre povos indígenas e uma das principais tradições indígenas do Nordeste brasileiro e de Minas Gerais. A apresentação, com duração prevista de 40 minutos, foi feita pelo grupo de dança Pankararu constituído por moradores do Real Parque, na zona sul da cidade de São Paulo.

Performance EDIVAN FULNI-Ô

Data: 13/08/2022 (sábado)

Edivan Fulni-ô é cantor, compositor, ator, modelo, fotógrafo, performer e ativista, indígena da etnia Fulni-ô de Pernambuco, nascido em Salvador, onde viveu a maior parte da sua vida entre os Pataxós do sul da Bahia. Em seus trabalhos, dialoga com a cosmopolítica dos povos originários e promove a quebra dos estereótipos criados sobre a figura do indígena. Em SP participou do YBY, primeiro festival de música indígena contemporânea que aconteceu em 2019 e, durante a pandemia, entre 2020 e 2021, gravou e lançou o EP “Segura Minha Mão”, fruto de campanha de financiamento colaborativo e realizado de maneira coletiva e independente na Casa Amarela de Cultura Coletiva (disponível nas plataformas online (https://www.youtube.com/watch?v=mQfXPqI9p2Q). Recentemente vem realizando trabalhos no campo da moda e das artes do corpo, componentes que trouxe para sua performance na exposição “Ygapó – Terra Firme”.

Performance AMBA MIRIM

Data: 10/09/2022

Roda de preparo de tinta de jenipapo, pintura corporal e mbora’i (canções guarani mbya). Com participação de Lucas Kuaray, Monica Ara, Michel Werá, Sara Pará e seus filhos, moradores da aldeia Tekoa Itakupé, Terra Indígena do Jaraguá, São Paulo.

Roda de conversa: Terra e Temporalidades – O significado do milho e da erva mate na cosmologia guarani

Data: 17/09/2022

Trata-se de uma roda de conversa sobre o tempo e o cultivo do milho e da erva-mate a partir do calendário Guarani, com a participação de Irene Jaxuka Mirim, Márcio Vera Mirim e Xamõi Izaque. 

Mediação: Mestres de Saberes Sônia Ara Mirim e Natalício Karai.

16ª Primavera dos Museus: Contextos Indígenas no Brasil - Xingu

Com o tema 200 anos de Independência: outras histórias, o MCI promoveu um ciclo de ação de formação continuada voltado para a partilha de saberes e contextualização histórica, cultural e política de diversas regiões do Brasil a respeito de povos indígenas.

Em destaque, no dia 22/09/2022, a participação de Juão Nyn.

“16ª Primavera dos Museus: Contextos Indígenas no Brasil – Mato Grosso do Sul”

Com o tema 200 anos de Independência: outras histórias, o MCI promove um ciclo de ação de formação continuada voltado para partilha de saberes e contextualização histórica, cultural e política de diversas regiões do Brasil a respeito de povos indígenas.

Arquivo MCI  Em destaque, no dia 24/09/2022, a participação de Michele Perito Concianza

Roda de conversa: O significado da música na Casa de Reza (Opy)

Data: 29/09/2022

Com a condução de Natalício Karaí, a roda de conversa abordará a importância da música nos rituais realizados na Casa de Reza (Opy) segundo a tradição Guarani, incluindo apresentações musicais.

Performance ritual: Mulheres sementes, com Sandra Nanayna

Data: 20/11/2022 

Em novembro de 2022, a atração cultural da exposição Ygapó Terra Firme foi a performance ritual de Sandra Nanayna, atriz manauara que se vale da iconografia ancestral como referência da universalidade feminina para ativar a simbologia da persistência, perseverança e resiliência das culturas indígenas. Mulheres sementes é uma homenagem a todas as meninas-mulheres indígenas que foram mortas ou que tiveram seus corpos violados de certa forma. Como a mãe terra é um grande útero, elas voltaram à terra, seu lugar de nascimento.

(Guarulhos), com Máximo Wassu

Data: 11/12/2022

Continuação do ciclo de ação de formação continuada voltado para partilha de saberes e contextualização histórica, cultural e política de diversas regiões do Brasil a respeito de povos indígenas. Neste evento, aberto ao público em geral, também em dezembro de 2022, foi abordado em especial o contexto da Aldeia Multiétnica Filhos desta Terra (Guarulhos).

Ygapó Terra Firme: Coral Kalypety

Data: 17/12/2022

Como parte da programação cultural da exposição Ygapó Terra Firme, o Coral Kalipety, composto por adultos e crianças, em dezembro de 2022, apresentou músicas da cosmogonia dos povos originários para sensibilizar o público a olhar para a importância de preservar as culturas indígenas.

JUVENTUDE INDÍGENA EM PROTAGONISMO - Semana da Luta dos Povos indígenas

Data: 09/02/2023

Como parte das ações em torno do dia 7 de fevereiro, que celebra o Dia Nacional da Luta dos Povos Indígenas, o MCI promoveu uma sequência de eventos para pensar e debater temas relevantes com algumas lideranças e referências da luta indígena no Brasil. No dia 9/2, a Mesa Juventude indígena em protagonismo trouxe jovens em diferentes contextos para discutir o papel e os caminhos da juventude no movimento indígena, com participação de  Michael Tupã Guarani Mbya, jovem liderança indígena Tekoa Pyau no Jaraguá/São Paulo; Natália Tupi, fotógrafa, videomaker, roteirista e produtora audiovisual nascida na ilha de Parintins, Amazonas; Nívia Pankararu, jovem militante, uma das representantes do Nhande Vae’eté ABC Movimento Indígena Multietnico do ABCDMRR;

Roda de Conversa: Povos Indígenas: Resistências e Diferenças

Data: 19/04/2023

Em contribuição às necessárias reflexões sobre a data histórica de 19 de abril, o Museu das Culturas Indígenas (MCI), em parceria com a Coordenação de Povos Indígenas da Secretaria Municipal de Direitos Humanos e Cidadania de São Paulo (COPIND/SMDHC), realizou uma roda de conversa com a participação de Aly Orellana com o tema “Jenipapos: Povos Indígenas, racismo e o desafio da diferença”. Em pauta, as questões relacionadas ao racismo contra os povos indígenas dentro e fora de seus territórios, em especial, nas instituições públicas e privadas.

Amazônida e descendente da nação Guarani, Aly é doutor em educação pela PUC/SP. A atividade foiu ministrada em conjunto com Márcio Boggarim, Cacique da Tekoa Yvy Porã, da TI Jaraguá, integrante do Conselho Indígena Aty Mirim/MCI.

Acolhimento do Manto Tupinambá
Projeto Manto em Movimento: exposição

Um exemplar de um manto tupinambá, que estava em posse do Museu Nacional da Dinamarca (Copenhage) há mais de três séculos, foi devolvido ao Brasil sob responsabilidade do Museu Nacional (Rio de Janeiro). O Museu das Culturas Indígenas irá acolhê-lo em São Paulo, antes de seu destino final.

Essa indumentária ritual é feita de penas vermelhas de guará costuradas em uma malha por meio de uma técnica ancestral do povo tupinambá; mede cerca de 1,80 metro e tem 80 centímetros de largura. Existem apenas outros dez desse tipo no mundo, produzidos entre os séculos 16 e 17 – todos em museus europeus.

A recuperação desse artefato só foi possível com o envolvimento da comunidade tupinambá da Serra do Padeiro, localizada na ainda não demarcada Terra Indígena Tupinambá Olivença (Bahia), do embaixador brasileiro na Dinamarca, Rodrigo de Azeredo Santos, e do Museu Nacional.

O povo Tupinambá foi um dos primeiros grupos de indígenas a ter contato com os europeus, após o início da invasão do território pelos portugueses em 1500. Habitavam aldeias ao longo de uma larga faixa do litoral atlântico e enfrentaram guerras de extermínio, tomada do território, escravização, conversão religiosa e a imposição da língua portuguesa.

Em uma realização da Casa do Povo com apoio do MAC USP e de um comitê composto por Glicéria Tupinambá, Augustin de Tugny, Juliana Caffé e Juliana Gontijo, o projeto se propõe a colocar em circulação um dos mantos tecidos por Glicéria. O Museu das Culturas Indígenas será um dos acolhedores em São Paulo, entre os dias 12 e 17 de setembro.

Com base em uma fotografia de um exemplar que estava em posse do Museu Nacional da Dinamarca (Copenhague) há mais de três séculos, Glicéria engajou-se na confecção de outros mantos, com a ajuda de Zizinho (Wellington de Almeida), o apoio de toda a comunidade da Terra Indígena de Olivença e a orientação dos mais velhos, numa caminhada que a levou a reencontrar aqueles levados para a Europa. Essa indumentária ritual é feita por meio de uma técnica ancestral do Povo Tupinambá utilizando-se de tecidos com fibra de algodão, tucum, embebida no mel, revestida de penas de pássaros.

O manto tupinambá é um ente sagrado central da sociedade Tupinambá vinculado ao mundo dos Encantados – entidades que habitam as matas e guiam o povo através de sonhos e visões. Objetos de valor espiritual e ritual, atraíram atenção e interesse dos europeus por sua beleza e seu poder. Foram saqueados, trocados em “negociações diplomáticas” ou escambados; atravessaram os mares rumo ao continente colonizador onde figuraram nos gabinetes de curiosidades e vestiram sua nobreza.

Atualmente, é conhecido o paradeiro de 11 mantos, todos mantidos em museus europeus, e há relatos de outros dois que estariam perdidos ou escondidos. Em 2024, o Brasil recebe de volta o exemplar que estava em Copenhague, sob responsabilidade do Museu Nacional (Rio de Janeiro); sua recuperação só foi possível com o envolvimento da comunidade Tupinambá da Serra do Padeiro, localizada na ainda não demarcada Terra Indígena Tupinambá Olivença (Bahia), do embaixador brasileiro na Dinamarca, Rodrigo de Azeredo Santos, e do próprio museu.

O povo Tupinambá foi um dos primeiros grupos de indígenas a ter contato com os europeus, após o início da invasão do território pelos portugueses em 1500. Habitavam aldeias ao longo de uma larga faixa do litoral atlântico e enfrentaram guerras de extermínio, tomada do território, escravização, conversão religiosa e a imposição da língua portuguesa.

Glicéria Tupinambá – artista, ativista, professora e intelectual, natural da aldeia da Serra do Padeiro. Desde 2005, Célia Tupinambá, como é mais conhecida, vem trabalhando na retomada do manto – o reencontro com suas práticas materiais e rituais de feitura, que implicam na reconexão com o território, com os Encantados, com a cosmologia Tupinambá – sua relação com as plantas, os animais, o passado e o presente.

Data: de 12 a 17/09/2023

Durante a permanência da exposição Ygapó Terra Firme, o MCI teve a oportunidade de receber entidades indígenas importantes, como o sagrado Manto Assojaba Tupinambá, por meio do Projeto Manto em Movimento: exposição. Em uma realização da Casa do Povo com apoio do MAC USP e de um comitê composto por Glicéria Tupinambá, Augustin de Tugny, Juliana Caffé e Juliana Gontijo, o projeto propiciou a circulação de um dos mantos tecidos por Glicéria por diversos espaços e localidades. O Museu das Culturas Indígenas foi uma das instituições que acolheu o Manto em São Paulo, entre os dias 12 e 17 de setembro.

Glicéria Tupinambá é artista, ativista, professora e intelectual, natural da aldeia da Serra do Padeiro. Desde 2005, Célia Tupinambá, como é mais conhecida, vem trabalhando na retomada do manto – o reencontro com suas práticas materiais e rituais de feitura, que implicam na reconexão com o território, com os Encantados e com a cosmologia Tupinambá em sua relação com as plantas, os animais, o passado e o presente.

Data: 14/09/2023

Vivência do Toré com a Comunidade Indígena Pankararu do Real Parque

Data: 17/09/2023

Para encerrar a estada do manto Assojaba Tupinambá, tecido por Glicéria, o Museu das Culturas Indígenas convidou a Comunidade Indígena Pankararu do Real Parque, Zona Sul de São Paulo, para uma vivência do Toré com a finalidade de promover a visibilidade da cultura indígena em contextos urbanos e de resistência em seus territórios.

O Toré é uma manifestação cultural de várias etnias indígenas do Nordeste, como os Pankararu, Pankararé, Kariri-Xocó, Xukuru-Kariri, Potiguara, Geripancó e Fulni-ô. Trata-se de uma manifestação de grande importância, envolvendo tradição, música, religiosidade e brincadeiras, desempenhando um papel fundamental na preservação das identidades e das práticas culturais de cada povo.

Um aspecto muito significativo do ritual é o chamado aos Encantados, entidades espirituais cuja representação física é o Praiá, veste tradicional confeccionada com croá (arbusto da família das bromélias endêmico da região sertaneja). Tal vestimenta, que também é um ente sagrado como o Manto Tupinambá, é composta por duas partes, a máscara ou casaco, chamado Tanam, e a saia, e seu objetivo é preservar a identidade do dançador, que, ao vesti-la, seguindo os preceitos religiosos, se torna o próprio Encantado.

FICHA TÉCNICA

GOVERNO DO ESTADO DE SÃO PAULO

Tarcísio de Freitas
Governador

Felício Ramuth
Vice-Governador

Marilia Marton
Secretária da Cultura, Economia e Indústria Criativas

Marcelo Henrique de Assis
Secretário Executivo da Cultura, Economia e Indústria Criativas

Daniel Scheiblich Rodrigues
Chefe de Gabinete da Cultura, Economia e Indústria Criativas

Vanessa Costa Ribeiro
Coordenadora da Unidade de Preservação do Patrimônio Museológico

Renata Cittadin
Diretora do Grupo Técnico de Coordenação do Sistema Estadual de Museus

Denise dos Santos Parreira
Diretora do Núcleo de Apoio Administrativo

Kelly Rizzo Toledo Cunegundes
Diretora do Grupo de Preservação do Patrimônio Museológico

Equipe Técnica da Unidade de Preservação do Patrimônio Museológico
Angelita Soraia Fantagussi
Eleonora Maria Fincato Fleury
Fabiana Josefa da Silva Magalhães Araújo
Luana Gonçalves Viera da Silva
Marcia Pisaneschi Sorrentino
Marcos Antônio Nogueira da Silva
Mirian Midori Peres Yagui
Regiane Lima Justino
Roberta Martins Silva
Sofia Gonçalez
Tayna da Silva Rios
Thiago Brandão Xavier

ACAM PORTINARI – ORGANIZAÇÃO SOCIAL DE CULTURA

Sérgio Roberto Urbano
Presidente do Conselho Administrativo

Angelica Fabbri
Diretora Executiva

Luiz Antonio Bergamo
Diretor Administrativo Financeiro

INSTITUTO MARACÁ

Ailton Krenak
Carlos Papá
Cristine Takuá
Adriana Calabi
Augusto Canani

Sócios Fundadores

Adriana Calabi
Diretora Presidente

Cristine Takuá
Diretora de Articulação e Relacionamento

Davi Kopenawa
Siã Huni Kuin
Sandra Benites
Anna Dantes

Conselheiros

Isabela Zangrossi
Assistente Executiva

Andréia Duarte
Outra Margem – Coordenação Curatorial

MUSEU DAS CULTURAS INDÍGENAS – SÃO PAULO

Davidson Panis Kaseker
Gerente de Unidade

EXPOSIÇÃO TEMPORÁRIA “YGAPÓ: TERRA FIRME” 2022/2023

Denilson Baniwa
Artista e Curador

Paula Borghi
Assistente de Curadoria

Daniel Scandurra
Coordenação de Performances e Identidade Visual

Kaê Guajajara | MC Wera | Oz Guarani | Brisa Flow | Katú Mirim | Djuena Tikuna | Os Cantos Huni Kuin e Makuxi
Artistas da Sala de Projeção

Hugo Reis Ribas
Apoio Técnico

Candotti Cenografia
Produção e Montagem

EXPOSIÇÃO VIRTUAL “YGAPÓ: TERRA FIRME”

Coordenação
Davidson Kaseker

Pesquisa, Documentação e Textos
Carlos Papa
Cecília Gonçalves Gobbis
Charles Henrique Silva dos Santos
Leandro Karaí Mirim Pires Gonçalves

Imagens e Montagem do Tour Virtual
Vila 360º

Depoimento
Natalício Karai

Revisão
Cecília Gonçalves Gobbis
Leandro Karaí Mirim Pires Gonçalves
Davidson Panis Kaseker

Design
Auá Mendes

Fotos
Amanda Serafim Pankararu (Comunicação MCI)
Núcleo de Exposições e Programação Cultural (MCI)
Núcleo de Transformação e Saberes (Nutras MCI)
Gionorossi (Wikimedia Commons)

Música
“Venkatesananda”, de Jesse Gallagher

Programação Web
Inova House

Assessoria de Imprensa
Agência Galo

Núcleo de Comunicação e Desenvolvimento Institucional
Débora Roque Fifolato
Priscila Souza
Daniel Kuaray
Amanda Serafim Pankararu
Leandro Karaí Mirim Pires Gonçalves
Auá Mendes

Núcleo de Exposições e Programação Cultural
Clarice Josivânia da Silva | Supervisora de Projetos Culturais e Programação
Mateus Marques Tozelli | Assistente de Programação
Luisa Gomes da Mota de Souza | Assistente de Programação
Kauane Jacinta Silva | Estagiária

Núcleo de Pesquisa e Referência
Cecília Gonçalves Gobbis | Pesquisadora Documentalista
Charles Henrique Silva dos Santos | Estagiário

Núcleo de Transformação e Saberes – Nutras
Ana Carolina Estrela da Costa | Supervisora
Ana Carolina Beserra da Silva | Assistente de Formação
Leticia Yumi Shimoda | Assistente de Formação
Cecília Brancher de Oliveira | Educadora
Claudio Fernando da Silva Branco | Mestre dos Saberes
Ediele da Silva Nascimento | Mestra dos Saberes
Francisco Célio Tavares | Mestre dos Saberes
Kawakani Mehinako | Mestra dos Saberes
Natalicio Karai de Souza | Mestre dos Saberes
Sonia Barbosa de Souza | Mestra dos Saberes
Wagner Tserenhõ’õ Tseredzawê | Mestre dos Saberes
Weksilania Máximo Alves | Mestra dos Saberes
Yriwana Teluira Karajá | Mestra dos Saberes
Edney dos Santos Nascimento | Estagiário
Gabriel Augusto Vera Popygua da Silva Vilar Martim | Estagiário
Jeronimo Becheroni Perez | Estagiário
Joaquim Fernandes Martim Karai | Estagiário
Samara Cristina Pará Mirim de Oliveira | Estagiária

Núcleo de Administração
Denise Vieira dos Santos | Assistente Administrativo
Thais Soares Nobrega | Assistente Administrativo

Núcleo de Infraestrutura e Operações
Hugo Reis Ribas | Supervisor de Manutenção e Facilites
Gilson Militão de Souza | Oficial de Manutenção Predial
Diego Ferreira da Cruz | Ajudante de Manutenção
Jonatan Silva de Almeida Junior | Estagiário

AGRADECIMENTOS
Conselho Indígena Aty Mirim
Denilson Baniwa
Luísa Valentini

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