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Hendu Porã’rã, escutar com o corpo

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“Esta é uma exposição de autoria coletiva, e é muito importante que seja assim”. Fala dos curadores Karaí Márcio, Sônia Ara Mirim, Tamikuã Txihi – moradores das Tekoás do Jaraguá (SP) e da também curadora Guarani, Sandra Benites.

Para combater a discriminação e o apagamento da trajetória de resistência dos moradores das Tekoás do Jaraguá (SP) e do povo Guarani que sofrem por causa sociedade não indígena há muito tempo, o processo de construção da “Exposição Coletiva: Hendu Porã’rã” se iniciou por meio de encontros e conversas, focando em escutar a própria comunidade e algumas lideranças de diferentes territórios. A proposta pretendeu pensar os conceitos que abordariam a exposição, além de avaliar as necessidades mais urgentes que os curadores gostariam de provocar.

Assim, surgiu a programação “Corpo Território” que aconteceu no segundo semestre do ano de 2022 no Museu das Culturas Indígenas e nas Tekóas do Território Indígena Jaraguá (SP). A programação foi realizada no próprio Museu e foi também uma forma de fazer a pesquisa para a construção do projeto conceitual, com a participação de mestres e mestras, líderes espirituais e artistas indígenas Guarani Mby´a, Guarani Kaiowá, Guarani Nhandeva e Tupi Guarani, também integrantes do Conselho Aty Mirim (Conselho Deliberativo do Museu das Culturas Indígenas), que compartilharam suas palavras sobre a importância do modo de ser desses povos.

Como explicam os curadores: “reiteradamente, todos trouxeram a questão da resistência e da luta pelos seus territórios, que estão presentes também em suas práticas culturais. Vale ressaltar aqui que não se trata apenas da moradia, mas também, da preservação e recuperação da natureza, das partes que acreditam compor toda a existência (os rios, a floresta, as plantas e os animais), a defesa do todo, dos elementos humanos e não humanos, dos Ijaras – protetores espirituais dos rios, da mata e dos animais. Dessa forma, construímos uma proposta para mostrar à sociedade Juruá (não indígena) que não estamos discutindo somente a questão da demarcação territorial de moradia, mas são questões maiores que lidam com os princípios da nossa vida”.

Para o povo Guarani, “Hendu” significa escutar; mas não apenas com o ouvido, e sim com o corpo inteiro. Então, essa exposição coletiva propõe transmitir ao público uma reflexão aprofundada, com o corpo e com diálogo, ensinando sobre a forma Guarani de estar no mundo, permitindo maior entendimento e compreensão. Para os curadores, quando a sociedade de fato entender, compreender e escutar com o corpo, ela vai saber a importância da luta e da resistência das populações indígena em geral, como a luta de todos os Guarani.

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